
Caracas, 11 fev 2020 (Lusa) – Dezenas de trabalhadores da companhia aérea estatal venezuelana Conviasa e simpatizantes do Presidente Nicolás Maduro, protestaram hoje contra o lÃder opositor Juan Guaidó.
O protesto teve lugar no Aeroporto Internacional Simón BolÃvar de MaiquetÃa, o principal do paÃs, onde está prevista chegada de Juan Guaidó após um périplo iniciado a 19 de janeiro, por Bogotá (Colômbia) e que o levou também a Inglaterra, SuÃça, Espanha, Canadá, França e Estados Unidos, onde se reuniu com diferentes governantes incluindo o Presidente norte-americano Donald Trump, respetivamente.
No aeroporto estiveram também dezenas de jornalistas, alguns dos quais foram insultados pelos manifestantes, que segundo a estação de televisão EVTV (de Miami, EUA), agrediram a sua correspondente em Caracas, Ayamara Alonso, e terão ainda tentado tirar o equipamento a pelo menos um colega.
Em declarações aos jornalistas, Dubraska Padrón, da Conviasa, explicou que os trabalhadores da companhia aérea condenam a ingerência dos EUA e acusou o opositor Juan Gauidó de ser “um traidor da pátria” que não deve regressar à Venezuela “nem perece o perdão de ninguém porque há mais de duas mil famÃlias que vão ficar sem trabalho” devido à s sanções contra aquela companhia aérea.
As redes sociais dão conta que alguns trabalhadores mesmo mantendo uma posição crÃtica contra Juan Guaidó, questionam a presença de militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo) no protesto de empregados da Conviasa.
Estes ‘coletivos’ terão chegado ao aeroporto e apresentado-se como trabalhadores da Conviasa, ainda segndo as redes sociais.
O protesto tem lugar depois de o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, dizer, segunda-feira que vai aos tribunais internacionais contra as sanções impostas pelos Estados Unidos à Conviasa, responsabilizando o lÃder opositor Juan Guaidó pelas sanções.
“O que justifica as sanções contra a Conviasa? Que mal me podem fazer? O dano que provocam é ao povo. É algo irracional, insensato e temos que apontar o responsável, Juan Guaidó, que foi quem pediu as sanções”, afirmou Maduro.
O Presidente venezuelano acrescentou que deu instruções ao ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, e à vice-Presidente da Venezuela, Delcy RodrÃguez, para que “ativem um recurso internacional no Tribunal Internacional de Justiça, contra os EUA, pelo dano que pretendem fazer contra a Conviasa”.
O Governo norte-americano bloqueou na sexta-feira a entrada aos aviões da companhia aérea da Venezuela, numa nova medida contra o regime do Presidente Nicolás Maduro.
O gabinete de controlo de ativos estrangeiros do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos identificou 40 aviões da Conviasa, que efetua voos domésticos e internacionais, como alvos de sanções por pertencerem ao Governo da Venezuela.
“A administração [de Donald Trump, Presidente dos EUA] não permitirá que Maduro e os seus representantes continuem a roubar o povo venezuelano e a abusar dos ativos do Estado para levar a cabo a suas próprias atividades corruptas e desestabilizadoras”, indicou em comunicado o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin.
O membro da administração Trump argumentou que o regime de Maduro depende da Conviasa “para colocar funcionários corruptos do regime em todo o mundo para apoiar os seus esforços antidemocráticos”.
O bloqueio visa “reduzir o uso indevido da companhia aérea por parte do regime de Maduro”, aacrescentou Mnuchin, referindo que o Governo de Caracas usou voos da Conviasa para “promover a sua própria agenda polÃtica”, incluindo a deslocação de funcionários para paÃses como a Coreia do Norte, Cuba e Irão.
FPG (APN) // EL
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