
Maputo, 10 fev 2020 (Lusa) – Uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) reúne-se hoje, em Maputo, com o ministro da Economia e Finanças e o governador do Banco de Moçambique para analisar o relacionamento com o paÃs, anunciou o Governo.
A delegação do fundo, chefiada pelo diretor-geral adjunto Tao Zhang, é a primeira a visitar a nação lusófona após a tomada de posse do Presidente, Filipe Nyusi, para um segundo mandato e após a constituição do Governo – em que Adriano Maleiane, interlocutor já conhecido do fundo, continua à frente do Ministério da Economia e Finanças.
A última visita do FMI tinha acontecido em novembro e, na altura, o chefe de missão, Ricardo Velloso, manifestou abertura para a retoma de programas financeiros com o paÃs.
“Se o Governo tiver interesse em conversas sobre um possÃvel programa de apoio financeiro”, o FMI está “aberto a esse pedido e a ter essas conversas”, referiu.
O fundo suspendeu os apoios em 2016, devido ao escândalo das dÃvidas ocultas do Estado no valor de 2,2 mil milhões de dólares e à s suspeitas de corrupção no caso, que está hoje sob alçada da justiça em Moçambique e no exterior.
Mais do que pelo volume de apoio, um novo programa financeiro com o FMI serviria como aval para Moçambique abrir portas a apoios adicionais de outros parceiros externos.
A possibilidade de retoma de apoios financeiros do FMI parece reforçada depois de alcançada em outubro a reestruturação dos tÃtulos de dÃvida soberana — ‘eurobonds’, correspondentes a cerca de um terço das dÃvidas ocultas.
Como resultado da reestruturação, a agência de ‘rating’ Fitch retirou Moçambique da lista de paÃses em incumprimento financeiro, atribuindo-lhe uma notação de CCC, o terceiro pior nÃvel de análise.
“Ainda não é muito bom, mas é bem melhor que [a classificação] anterior”, referiu Ricardo Velloso na altura.
A reestruturação dos ‘eurobonds’ permitiu melhorar os indicadores de sustentabilidade da dÃvida moçambicana e o FMI tem realçado a necessidade de o paÃs continuar a cuidar desses indicadores, nomeadamente, apostando em “prudência fiscal” e em basear a dÃvida publica “em doações e créditos altamente concessionais, evitando o problema gerado no passado recente”, concluiu.
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