
Praia, 16 dez 2019 (Lusa) – O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu hoje em alta a previsão de crescimento económico de Cabo Verde em 5,2% para 2019, elogiou as reformas em curso, mas notou que a meta de receitas fiscais ficou “aquém do desejado”.
As previsões foram feitas, na cidade da Praia, por Kabediy Mbuyi Malangu, chefe de uma missão de avaliação do FMI a Cabo Verde, ao abrigo do Instrumento de Coordenação de PolÃticas (PCI, na sigla em inglês).
Durante as duas semanas no paÃs, a responsável fez uma avaliação positiva da implementação do programa de reformas por parte do Governo de Cabo Verde, indicando que todas as principais metas foram atingidas.
A única exceção foram as receitas fiscais, que segundo o FMI ficaram “aquém do desejado”, muito por culpa das importações, que aumentaram abaixo do previsto este ano.
Relativamente à s perspetivas de crescimento económico para este ano, Kabediy Mbuyi disse que “são consolidadas”, prevendo que seja de 5,2%, uma revisão em alta, tendo em conta que num relatório apresentado em abril a instituição estimou que Cabo Verde iria ter um crescimento de 5% no produto interno bruto (PIB) em 2019.
A inflação mantém-se baixa, prosseguiu a chefe da missão do FMI, que, além de contactos com autoridades na cidade da Praia, deslocou-se à ilha da Boavista para encontros com responsáveis locais e empresários.
O FMI destacou ainda alguma recuperação do setor agrÃcola cabo-verdiano, não obstante dois anos consecutivos de seca, salientando que isso também contribuiu para o crescimento do PIB.
O setor externo também melhorou e o resultado é uma boa acumulação de reservas internacionais, notou o FMI, para quem o sistema financeiro continua sólido, mas a qualidade dos ativos continuam a sofrer por causa dos créditos malparados, resultantes ainda da crise internacional de há mais de 10 anos.
O vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, disse que a avaliação do FMI é “muito positiva” e destacou o facto de a economia continuar a crescer.
“Antes a previsão era de 5%, agora é de 5,2%. Essa tendência é importante porque aponta no sentido do aumento do crescimento da nossa economia. Mais do que a percentagem, é a tendência é que conta aqui, e é muito positiva para a nossa economia”, sublinhou Olavo Correia.
O ministro destacou ainda o facto de a inflação continuar baixa, o bom quadro monetário e a solidez do sistema financeiro cabo-verdiano.
O governante apontou como desafio continuar a aumentar as receitas domésticas para financiar o Orçamento do Estado, em alternativa ao endividamento e à ajuda pública.
“A regra é simples, todos têm de pagar, para que cada um pague menos e as despesas do Estado devem ser financiadas prioritariamente com recurso à s receitas endógenas”, afirmou Olavo Correia, indicando que o Governo está a modernizar o sistema para ter melhor “justiça fiscal”.
O ministro também reafirmou que o Governo está a acelerar a agenda de reformas nos diversos domÃnios, explicando que é por essa via que se pretende aumentar o potencial de crescimento da economia de Cabo Verde.
Além da avaliação das polÃticas económicas, a missão do FMI troca informações e opiniões e presta assessoria e assistência técnica ao Governo cabo-verdiano.
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