CONSELHEIRA DIZ QUE SOBREVIVÊNCIA DOS MACAENSES DEPENDE DE CASAMENTOS SINO-PORTUGUESES

LusaMacau, China, 13 dez 2019 (Lusa) – A conselheira das Comunidades Portuguesas Rita Santos disse à Lusa que a sobrevivência dos macaenses depende de mais casamentos entre portugueses e chineses.

“Sou da opinião que não nos devemos limitar a nós macaenses, porque o número de macaenses é reduzido, tem que haver mais cruzamento dos novos portugueses que vêm a Macau”, afirmou, em entrevista à Lusa, a presidente do Conselho Regional do Conselho das Comunidades Portuguesas da Ásia e Oceânia.

“O número é limitado, como é que podemos constituir novos macaenses? É só a vinda dos portugueses casando com chinesas”, ou o contrário, defendeu.

Rita Santos, também ela macaense, fruto de “um cruzamento das duas culturas”, defendeu que “quanto maior for o número de portugueses que querem ficar em Macau mais a cultura consegue sobreviver”, até porque “a cultura macaense é fruto da cultura portuguesa”.

“Porque é que eu estou aqui”, questionou a comendadora, de 59 anos, retorquindo logo de seguida: “porque os meus avôs vieram cá prestar o serviço militar e casaram-se com chinesas”.

Rita Santos é da opinião que os macaenses não se podem proteger, somente entre si, porque se assim for “o número desaparece”.

“Porque é que os futuros [portugueses] que vierem cá casar com chineses ou chinesas não podem ser macaenses? Também são”, afirmou.

Os macaenses, frisou, não devem ficar agarrados ao passado, a missão tem de ser centrada na construção do futuro.

“Quanto maior for a vinda de portugueses a Macau mais os macaenses têm o seu valor de sobrevivência”, sublinhou, acrescentando que desta forma “é que poderá haver uma nova geração de macaenses”.

E para a conselheira é desde forma que se preserva esta cultura, que nasceu de uma comunhão entre o Ocidente e o Oriente. “E o que é que nos distingue? A nossa maneira de ser, não somos totalmente chineses, mas também não somos totalmente portugueses”, disse.

“Temos a mentalidade ainda tradicional chinesa e também temos a mentalidade europeia”, vincou Rita Santos.

“Quando nos juntamos em casa, respeito à deusa A-Má [Deusa do Céu, divindade taoísta venerada no sul da China, considerada a protetora dos pescadores e marinheiros], respeito à Virgem Maria”, acrescentou.

Rita Santos apelou aos macaenses mais velhos para que transmitam a cultura aos mais novos, tal como ela faz com os netos.

“Temos de fazer esse sacrifício, todos os macaenses têm de fazer esse sacrifício para manter viva a nossa cultura. É a língua portuguesa que mantém a nossa cultura viva. O macaense tem de continuar a falar português”, concluiu.

MIM // PJA

Lusa/Fim