
Hong Kong, 06 dez 2019 (Lusa) – Ativistas pró-democracia anunciaram hoje que pretendem tomar no domingo as ruas de Hong Kong para uma grande manifestação destinada a dar à s autoridades uma “última oportunidade” para responderem à s suas reivindicações.
Desde junho que a antiga colónia britânica atravessa uma crise grave com ações quase diárias para exigir reformas democráticas e pedir uma investigação sobre o comportamento da polÃcia.
“Esperamos que o governo não cometa o erro de acreditar que a população desistiu dos seus pedidos nas últimas semanas”, indicou Jimmy Sham, um dos responsáveis da Frente Civil dos Direitos Humanos (FCDH), aos jornalistas.
“Esta é a última oportunidade dada pela população a [Carrie] Lam [chefe do executivo de Hong Kong]”, acrescentou Sham.
A Frente Civil dos Direitos Humanos é um movimento que defende a não-violência e que organizou as principais manifestações de junho e julho.
A polÃcia tomou a decisão de permitir que a FCDH organizasse esta manifestação, a primeira vez que essa permissão acontece desde meados de agosto.
A marcha de domingo seguirá um percurso, já usado várias vezes, a partir do Victoria Park e e atravessando zonas comerciais.
O movimento marcará na segunda-feira os seis meses da sua mobilização, que começou com uma manifestação em 09 de junho, contra um projeto de lei que pretendia autorizar extradições para a China, mas que, entretanto, já foi retirado formalmente pelo Governo de Hong Kong.
Jimmy Sham reiterou que a Frente apelou aos manifestantes e à polÃcia para evitarem qualquer violência.
A polÃcia também pediu aos manifestantes pacÃficos a dissociarem-se dos mais radicais.
“Por favor, cortem as ligações com desordeiros e criminosos e ajudem-nos a colocar Hong Kong no caminho certo”, salientou Kwok Ka-chuen, alto responsável da polÃcia, à imprensa.
No entanto, nos fóruns ‘online’ usados pelos manifestantes, muitos apelam a marcar os seis meses de protestos com uma nova ação, em larga escala, de bloqueio dos transportes públicos na segunda-feira.
Na origem dos protestos antigovernamentais está uma polémica proposta de emendas à lei da extradição, já retirada formalmente pelo Governo de Hong Kong, mas os manifestantes têm outras exigências como a demissão da chefe do Executivo e do Governo da RAE [Região Administrativa Especial).
A antiga colónia britânica passou a ser uma região administrativa especial chinesa em 01 de julho de 1997.
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