
Zambézia, Moçambique, 27 nov 2019 (Lusa) – O Presidente moçambicano disse hoje que há um movimento de recrutamento de jovens para se juntarem a grupos armados que têm protagonizado ataques no centro e norte de Moçambique, apelando à juventude para que “não se deixe enganar”.
“Há um movimento que procura enganar jovens, filhos dos outros, para se juntarem ao grupo de pessoas que fazem mal à população. Estão a enganar-vos”, disse Filipe Nyusi, falando num comÃcio no distrito da Maganja da Costa, na provÃncia da Zambézia, Centro de Moçambique.
Para Filipe Nyusi, as atenções das populações jovens daquela provÃncia devem estar viradas para o trabalho e a produção, condições para o desenvolvimento do paÃs.
“Estão a ser enganados e, caso aceitem essas propostas, vão viver nas matas para toda a vida. Os mandantes destes grupos nem estão nas matas”, acrescentou o chefe de Estado, alertando que “quem mata pode ser morto”.
“Maganja da Costa não é distrito que trabalha matando pessoas”, concluiu o chefe de Estado moçambicano.
Em alguns pontos do Norte e Centro de Moçambique, especificamente em Cabo Delgado, Sofala e Manica, grupos armados têm protagonizado ataques armados contra viaturas civis, autoridades e aldeias.
Os ataques de grupos armados na provÃncia de Cabo Delgado eclodiram há dois anos em comunidades muçulmanas radicalizadas.
Pelo menos 300 pessoas já morreram, segundo dados oficiais e de testemunhas, e 60.000 foram afetadas ou obrigadas a abandonar as suas terras e locais de residência, de acordo com a mais recente revisão do plano global de ajuda humanitária das Nações Unidas.
Desde junho que o grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico tem reivindicado alguns dos ataques, mas autoridades e analistas ouvidos pela Lusa têm considerado pouco credÃvel que haja um envolvimento genuÃno do grupo terrorista que vá além de algum contacto com elementos no terreno.
Por outro lado, no centro de Moçambique, nas provÃncias de Manica e Sofala, as autoridades responsabilizam o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido de oposição, por uma série de ataques armados contra viaturas na Estrada Nacional Número 1.
Apesar de as autoridades estarem a responsabilizar os guerrilheiros da Renamo que permanecem na zona, alguns dissidentes da organização, o principal partido da oposição nega o envolvimento nos ataques, que já provocaram pelo menos 10 mortos.
O mesmo tipo de violência no centro de Moçambique aconteceu em 2015, em perÃodo pós-eleitoral, quando Afonso Dhlakama (antigo lÃder da Renamo) rejeitou a vitória da Frelimo, mas negando o envolvimento nos confrontos.
Desta vez, o cenário é ainda mais complexo depois de, em junho, um número incerto de guerrilheiros da Renamo chefiados por Mariano Nhongo se terem revoltado contra o lÃder do partido, Ossufo Momade, ameaçando desestabilizar a região.
No entanto, em contactos pontuais com a Lusa e outros órgãos de comunicação social, Nhongo tem negado serem os seus homens os autores destes ataques.
Em agosto passado, a Renamo e o Governo assinaram um acordo de paz.
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