
Guimarães, Braga, 26 nov 2019 (Lusa) – O Norte de Portugal tem um “elevado” potencial de biomassa resultante da poda que deve ser valorizado energeticamente, com benefÃcios para o ambiente e para a carteira dos consumidores, conclui um projeto ibérico cofinanciado pela União Europeia.
O coordenador do projeto no lado português, André Mota, disse hoje à Lusa que atualmente esta biomassa é, por norma, queimada a céu aberto, “com consequências para o ambiente” e “sem qualquer rentabilização”.
“Há um elevado potencial de biomassa que não está a ser aproveitado, é queimado ao ar livre, com consequências para o ambiente, quando pode muito bem ser usado em detrimento de combustÃveis fósseis, como o gás natural, tão utilizado no aquecimento das casas”, referiu.
A valorização energética da biomassa resultante das podas é o grande objetivo do projeto Movbio, que junta o Centro para a Valorização de ResÃduos e a Agência de Energia do Ave, do lado português, e a Fundación para la Investigación y Desarrollo en Transporte y EnergÃa, o Ayuntamiento de Valladolid e o Instituto Tecnologico Agrario de Castilla y León, do lado espanhol.
Com um custo total elegÃvel de quase 874 mil euros, o projeto tem um apoio de 655 mil euros da União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), enquadrado no Programa INTERREG V-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020.
A iniciativa começou em Junho de 2017 e termina no final deste ano.
Em Portugal, o projeto incidiu sobre a região do Ave, em particular, mas estendeu-se a toda a região Norte.
André Mota explicou que em causa está a biomassa resultante das podas tanto de origem urbana, como parques e jardins, como de origem agrÃcola, entre vinhas, olival e pomares. O coordenador destacou a poda do kiwi, uma cultura “emergente” no norte do paÃs.
A biomassa recolhida foi triturada, transformada em briquetes e testada em combustão, especialmente para aquecimento doméstico.
Segundo André Mota, a questão das emissões gasosas “carece de uma avaliação mais aprofundada”, nomeadamente no que diz respeito a óxidos de azoto (NOx).
“Em termos de emissão de dióxido de carbono, as emissões das briquetes são muito semelhantes à s do pinho, mas quanto ao NOx há uma subida considerável, devido aos fertilizantes utilizados nas culturas”, referiu.
A solução, indicou, poderá passar pela utilização das briquetes misturadas com outra lenha, como o pinho, ou pelo uso de caldeiras “mais adaptadas”.
“Mas o problema é solucionável, disso não temos dúvidas”, referiu ainda André Mota, admitindo que o Movbio pode ter continuidade precisamente para se proceder a “um estudo mais aprofundado” das emissões.
No lado espanhol, o estudo contemplou um ensaio industrial com biomassa de podas numa empresa produtora de eletricidade.
“Vão colocar essa eletricidade no sistema, para ver como resulta, porque à s vezes corre tudo muito bem no laboratório, mas depois na prática não funciona”, contou o coordenador português.
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