
Lisboa, 19 nov 2019 (Lusa) – Os deputados da comissão parlamentar de Cultura e Comunicação aprovaram hoje “por unanimidade” as audições da diretora de informação e do presidente da RTP sobre o programa “Sexta à s 9”, disse a presidente da comissão à Lusa.
O grupo parlamentar do PSD tinha apresentado um requerimento para a realização de uma audição parlamentar à jornalista da RTP Sandra Felgueiras, à diretora de informação da RTP, Maria Flor Pedroso, e ao presidente da RTP, Gonçalo Reis, sobre a decisão de adiamento do programa “Sexta à s 9” por parte da estação pública sobre o lÃtio.
“Foi aprovado por unanimidade”, disse Ana Paula Vitorino, referindo que agora a comissão iria tentar agendar um dia para que os três – Sandra Felgueiras, Maria Flor Pedroso e Gonçalo Reis – fossem ouvidos no mesmo dia.
Num requerimento entregue em 13 de novembro na Assembleia da República e dirigido à presidente da Comissão de Cultura e Comunicação, os sociais-democratas salientaram que a RTP está vinculada “a produzir um serviço público de rádio, de televisão e de multimédia com padrões de referência que permitam melhorar a qualidade da democracia e o exercÃcio da cidadania em Portugal”.
“O programa de jornalismo de investigação da Rádio e Televisão de Portugal (RTP) ‘Sexta à s 9’, coordenado pela jornalista Sandra Felgueiras, teve o seu regresso, após perÃodo de férias, anunciado para o dia 13 de setembro, mas só veio a ser emitido já depois das últimas eleições legislativas, a 11 de outubro”, sustenta o PSD, no requerimento assinado pelos deputados Ricardo Baptista Leite e Paulo Rios de Oliveira.
Os sociais-democratas consideram que “o motivo subjacente à decisão de adiamento do programa ‘Sexta à s 9’ por parte da RTP, torna-se particularmente relevante e exige ser esclarecido”, apontando que é dever da estação pública de Rádio e Televisão proporcionar “uma informação isenta, rigorosa, contextualizada e plural, assegurando a sua independência face aos interesses setoriais e ao poder polÃtico”.
“Perante a gravidade do conteúdo da reportagem emitida por esse programa de investigação a 11 de outubro, no qual se dá conta da abertura de um inquérito pelo Ministério Público ao processo de concessão de uma exploração de lÃtio em Montalegre, envolvendo o Governo de então, é evidente que se trata de uma questão central apurar, com celeridade, a verdadeira razão que motivou a suspensão do programa”, defendem.
Os deputados do PSD referem que, nas legislativas de 2015, o programa regressou de férias a 11 de setembro e invocam que a justificação dada pela direção de informação da RTP – de acordo com os sociais-democratas, “ajustes na programação” devido à campanha eleitoral – “causou alguma polémica na própria empresa, onde consta existir uma relação tensa entre a Direção de Informação da RTP e a equipa do programa ‘Sexta à s 9’, assim como um notório desinvestimento no programa.
“É do conhecimento público que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) confirma ter recebido participações referentes ao facto de o programa ‘Sexta à s 9’ ter estado ausente da emissão da RTP desde o dia 19 de julho, e o seu regresso ter acontecido a 11 de outubro e não no dia 13 de setembro”, referem ainda, justificando os três pedidos de audição na Assembleia da República
O presidente do PSD, Rui Rio, já tinha levantando esta questão no debate do programa do Governo, em 30 de outubro, dizendo que os sociais-democratas iriam querer saber porque é que o programa da RTP sobre a exploração de lÃtio só foi emitido depois e não antes das eleições.
Nesse mesmo dia, a RTP-TV esclareceu que a reportagem só ficou pronta “horas antes” da sua divulgação, rejeitando a utilização deste caso como “arma de arremesso polÃtico-partidário”.
“A Direção de Informação da RTP-TV jamais tolerará ser utilizada como arma de arremesso polÃtico-partidário seja por quem for”, sublinha-se na nota assinada pela diretora de informação, Maria Flor Pedroso, e por todos os elementos da sua equipa.
A nota acrescenta que “a informação da RTP não guarda notÃcias na gaveta em caso algum”.
“A investigação, evocada pelo lÃder do PSD na discussão do Programa de Governo, não estava concluÃda durante a campanha eleitoral”, referiu então a direção de informação da RTP.
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