
Caracas, 16 nov 2019 (Lusa) – Vários venezuelanos apelaram hoje a Portugal e aos portugueses que os ajudem a desencadear uma mudança no regime polÃtico que vigora no paÃs, agradecendo a contribuição que têm dado ao desenvolvimento local.
“Obrigado pela entrevista. Leve-a ao povo português para que nos apoiem, que apoiem este povo como nós apoiamos os portugueses que vieram para a Venezuela. A Venezuela estendeu as mãos a todos os europeus, mas, sobretudo, aos portugueses que têm uma comunidade muito grande”, disse um sindicalista à agência Lusa.
Plácido Mundaray, da Confederação de Sindicatos Autónomos da Venezuela, foi um dos milhares de manifestantes que hoje voltaram à s ruas de Caracas, capital do paÃs, numa resposta ao apelo do presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó, e para exigir uma mudança de regime no paÃs.
“Os portugueses que vieram são mão-de-obra qualificada e têm sido uma comunidade trabalhadora”, frisou Plácido Mundaray.
O sindicalista explicou que “o povo tem fome e há miséria”, acrescentando: “Não há água, nem remédios. Estamos a sofrer, as crianças morrem e a diáspora venezuelana dá tristeza”.
“Que vejam o dano que nos fizeram em 20 anos de ditadura de Chávez (Hugo) e do ‘madurismo’ (Nicolás Maduro). Esse senhor (Maduro) diz que é o presidente dos trabalhadores e isso é falso. Ele terminou com os contratos coletivos e hoje os trabalhadores venezuelanos não ganham nem cinco dólares (4,50 euros) por dia”, explicou.
Gladys Mora, doméstica, afirmou que hoje marcou presença nos protestos e aqui vai ficar “até a ditadura cair”, queixando-se de não haver “liberdade nem democracia” na Venezuela.
A venezuelana afirmou ser da opinião de que Juan Guaidó “não pode fazer milagres”.
“[É] mais um cidadão que nos está a ajudar para sair da ditadura”, referiu, lamentando que “há pessoas que pensam que têm uma varinha mágica e que com apenas falar tudo está solucionado”, mas todos têm de lutar.
” Muitas vezes dizem que o jornalista exagera, mas a realidade é que estamos em ditadura e isso não é mentira”, disse Gladys Mora, considerando que “Portugal tem dado muito à Venezuela” e que tem amigos “de Portugal que chegaram (ao paÃs) em alpercatas, como os camponeses”.
“Tudo o que têm é porque suaram. Os portugueses, italianos, espanhóis não enriqueceram de um dia para o outro, foi com sacrifÃcio e esforço, e isso é o que também temos de fazer para levantar o nosso povo da Venezuela”, acrescentou.
Gladys Mora agradeceu “à comunidade portuguesa por todos os bens, estruturas belas e bonitas, pela amizade e pelo carinho que têm ao [povo] venezuelano”, vincando que são uma comunidade “bastante agradecida”.
O advogado Jesus Peñalver disse à Lusa que está a protestar “pacificamente, como faz a grande maioria, de forma legÃtima, legal, democrática, constitucional e pacÃfica”, em resposta ao apelo da oposição.
“Hoje passam 20 tortuosos anos, 9 meses e 14 dias (desde que o chavismo chegou ao poder). Esse é o tempo de um pesadelo que arruÃna cada dia ainda mais as já minguadas condições de existência dos venezuelanos. Protesto contra o silêncio e a apatia”, afirmou.
O advogado explicou que está nas mãos do povo “mudar esta triste realidade” e enfatizou que “ninguém poderá dizer que não fez nada, que ficou calado” e que fechou os “olhos e calou a voz”.
“Muito obrigado por esta oportunidade (entrevista). Não nos esqueçam. A Venezuela é uma terra de graça (abençoada) (…). Somos nós quem tem de resolver esta grave crise, mas vocês também, fazendo-se eco, das nossas orações, do nosso apelo ao mundo. Sendo eco, estão a dar-nos um magnÃfico apoio”, disse.
Segundo Jesus Peñalver, Portugal, entre outras coisas, pode “exercer pressão perante os organismos internacionais, para que permitam a entrada de ajuda humanitária e para que libertem os presos polÃticos”.
“Não fiquem em silêncio, continuem a ajudar-nos”, concluiu.
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