
Lisboa, 09 nov 2019 (Lusa) — A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, disse hoje que “o Governo não deve autorizar mais pagamentos ao Novo Banco sem saber o que se passa”, realçando que o paÃs tem direito a respostas.
A lÃder bloquista falava no Teatro São LuÃs, em Lisboa, à margem de uma homenagem a José Carvalho, que foi assassinado há 30 anos, à porta da então sede do PSR (Partido Socialista Revolucionário), na Rua da Palma, por um grupo de neo-nazis.
“O mÃnimo dos mÃnimos é o Governo não autorizar mais pagamentos ao Novo Banco sem saber exatamente como estão as coisas e sem nomear administrador público”, anotou Catarina Martins.
Na sexta-feira, soube-se que o Novo Banco aumentou os prejuÃzos em 46% nos primeiros nove meses do ano, para 572,3 milhões de euros, depois de ter registado perdas de 390,9 milhões de euros no mesmo perÃodo de 2018.
Aos jornalistas, a coordenadora do BE recordou que os bloquistas tinham avisado que a resolução do BES “ia custar muito dinheiro aos contribuintes” e vendê-lo a privados seria um erro.
“Dissemos que era um erro vender o Novo Banco a privados porque irÃamos continuar a pagá-lo mesmo depois de o vender, ou de o oferecer, oferecemo-lo”, considerou.
Segundo Catarina Martins, o Governo tem ainda de nomear um administrador para perceber o que o Novo Banco está a fazer com o dinheiro dos contribuintes.
“O Estado tem de ter administrador. Não só para saber o que se passa, mas para poder responder a todo o paÃs. […] Todo o paÃs tem perguntas para fazer sobre o que se está a passar no Novo Banco e tem direito à s respostas”, disse.
Num comunicado enviado, na sexta-feira, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o Novo Banco indica que o resultado dos primeiros nove meses é “decorrente da combinação de uma perda de 712,4 milhões de euros na atividade ‘legacy’ e de um ganho de 140,1 milhões de euros na atividade recorrente”.
“Neste perÃodo, o Grupo Novo Banco registou perdas relacionadas com o processo de restruturação e desalavancagem de ativos não produtivos, designadamente o projeto Sertorius, o projeto Albatros, o projeto NATA II e o processo de venda da GNB Vida, cujo impacto negativo ascendeu a 391 milhões de euros”.
JML (JE/IM)// MP
Lusa/Fim



