
Porto, 10 out 2019 (Lusa) – O FC Porto SAD apresentou hoje as contas finais da época de 2018/2019 que encerraram com um lucro consolidado de 9,473 milhões de euros, em contraponto com os 28,4 milhões negativos do exercÃcio anterior.
O administrador da SAD para a área financeira, Fernando Gomes, destacou para a obtenção deste resultado a entrada nos cofres portistas de cerca de 81 milhões de euros da Liga dos Campeões e o registo do novo contrato dos direitos televisivos.
Fernando Gomes recordou que o clube se encontra há três anos obrigado ao cumprimento de um acordo de ‘fair play’ financeiro com a UEFA e que, nessa área, até tem tido folgas de uma época para a outra.
“Para o próximo ano não podemos ter prejuÃzo, mas estamos calmos quanto ao cumprimento do ‘fair play’ financeiro com a UEFA”, disse Fernando Gomes, acrescentando que as contas de 2018/19 “deixaram uma almofada de 22,2 milhões de euros”.
O exercÃcio de 2018/19 foi marcado por um aumento de quase 12,6% nos custos, para o que muito contribuÃram o pagamento de prémios pelo tÃtulo e rescisões, mas apesar disso os resultados operacionais, excluindo passes de jogadores, atingiram os 25,737 milhões de euros.
No ano anterior haviam sido negativos em 27,925 milhões.
O FC Porto SAD justifica este desempenho com o crescimento das receitas devido à “excelente performance” na edição 2018/2019 da Liga dos Campeões e ao inÃcio da contabilização do contrato celebrado com a Altice, em dezembro de 2015, para a cedência de direitos de transmissão televisiva.
“A presença nas provas da UEFA rendeu 80,971 milhões de euros, contra os 30,926 milhões da época anterior (um aumento de 161,8%), e os direitos de transmissão valeram 42,561 milhões, mais 79,5% que no exercÃcio anterior. As receitas de bilheteira cresceram 10,3% para 9,627 milhões de euros)
O ‘cash-flow’ operacional mais do que duplicou e é agora de 73,801 milhões de euros e as vendas de jogadores renderam 42,655 milhões de euros, menos 14,7% do que na época anterior.
A “diminuição global dos empréstimos” permitiu reduzir o passivo da SAD em 56,068 milhões, que é agora de 408,105 milhões de euros. Mas o ativo lÃquido encolheu também, para 373,302 milhões.
O valor do plantel, por exemplo, era de 74,990 milhões a 30 de junho de 2019 contra os 82,656 milhões da época transata, mas Fernando Gomes considera que “é muito inferior ao seu real valor”, devido à s amortizações anuais dos jogadores.
Fernando Gomes comparou a verba de 74,990 milhões de euros atribuÃda nas contas ao plantel com a registada em alguns sites especializados em futebol, nomeadamente o alemão Transfermarkt, que atribui aos portistas 250 milhões de euros.
O capital próprio é negativo em 34,803 milhões.
Fernando Gomes lançou já um olhar sobre a próxima época, em que apesar dos constrangimentos financeiros o clube continua a investir na sua competitividade desportiva e em melhoramentos, nomeadamente cobertura, relvado, comunicação (FC PortoTV) e cobertura WiFi no estádio.
Pela quarta vez em 27 participações o FC Porto não está presente na fase de grupos da Liga dos Campeões e esta situação, numa altura em que houve um significativo aumento dos prémios da UEFA, irá agravar os constrangimentos financeiros do clube.
“Não estávamos à espera. São 50 milhões de euros previstos, que nos vão falhar”, disse Fernando Gomes, acrescentando que o clube terá que realizar até 30 de junho de 2020 mais-valias (venda de jogadores) na ordem dos 65 milhões de euros.
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