
Lisboa, 02 out 2019 (Lusa) — O Instituto Superior Técnico (IST) lidera um novo projeto europeu que pretende investigar o potencial da computação quântica para simular e analisar as experiências de colisão de partÃculas subatómicas da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN).
O projeto QuantHEP — Quantum Computing Solutions for High-Energy Physics – liderado por Yasser Omar, especialista em computação quântica, professor do departamento de Matemática do IST e coordenador do Grupo de FÃsica da Informação e Tecnologias Quânticas do Instituto de Telecomunicações, em Lisboa -, foi um dos 12 projetos selecionados no concurso europeu QuantERA, de entre 85 projetos concorrentes.
“Este é o sétimo projeto europeu que o nosso grupo ganhou nos últimos sete anos, e vem consolidar a posição de liderança nacional e de destaque internacional que o Técnico e o Instituto de Telecomunicações têm no domÃnio emergente das Tecnologias Quânticas”, disse Yasser Omar, citado num comunicado do IST.
O projeto de mais de 600 mil euros envolve vários especialistas, entre eles João Seixas, professor do Departamento de FÃsica do IST e Presidente do Centro de FÃsica e Engenharia de Materiais Avançados (CeFEMA) do IST, Simone Montangero, professor da Universidade de Pádua e Andris Ambainis, professor da Universidade da Letónia.
O estudo das partÃculas elementares que constituem o universo é considerado pelos cientistas como a nova fronteira da fÃsica. A investigação consiste na “colisão de partÃculas subatómicas que geram milhares de novas partÃculas, cuja trajetória é medida por sensores em torno do ponto de colisão”. Porém, identificar estas partÃculas é um desafio computacional extremamente exigente, que até os atuais supercomputadores têm dificuldade em resolver.
Como forma de resolver este entrave, foi desenvolvida uma nova forma de computação a partir do CERN, a ‘grid computing’, em que computadores espalhados pelo mundo trabalham em rede, para que seja conseguida capacidade para processar as quantidades astronómicas de dados produzidas pelas experiências de colisão de partÃculas, realizadas pelo CERN no maior acelerador de partÃculas do mundo, o “Large Hadron Collider” (LHC).
Face à s dificuldades que os supercomputadores clássicos já enfrentam na análise dos dados das colisões de partÃculas elementares, a computação quântica, assente nas leis da fÃsica quântica, que aumenta exponencialmente a capacidade cálculo e processamento de dados.
A computação quântica assenta no conceito de ‘qubit’ (‘quantum bit’), por oposição ao ‘bit’ que é a unidade básica do sistema binário em que assentam os computadores atuais.
Segundo a fÃsica quântica, ao contrário de um ‘bit’ clássico, que está no estado ‘zero’ ou no estado ‘um’, um ‘qubit’ pode estar no estado ‘zero’ e ‘um’ ao mesmo tempo.
Presentemente, os cientistas encontram-se numa corrida internacional, para o desenvolvimento do primeiro processador quântico operacional.
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