
Nova Iorque, Estados Unidos, 28 set 2019 (Lusa) — A ministra dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, Suzi Barbosa, disse hoje que o crime organizado continua a ser uma grande ameaça para o paÃs e que procurar combatê-lo está a levar a tentativas de desestabilização.
Falando na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, a responsável lembrou as recentes apreensões de cocaÃna para dizer que essas ações mexeram profundamente “com as estruturas polÃticas que sustentam esses negócios, sendo já visÃveis e sentidos os ataques e tentativas desenfreadas de comprometer o processo de governação para repor o quadro de instabilidade favorável ao ´status quo´ que vinha perdurando há algum tempo”.
A PolÃcia Judiciária da Guiné-Bissau apreendeu em março cerca de 800 quilos de cocaÃna e no inÃcio de setembro voltou a fazer uma apreensão de quase duas toneladas.
Esta semana, o Ministério Público anunciou que acusou 12 pessoas e três empresas no âmbito da operação que culminou com a apreensão da droga em Canchungo e Oio, no norte do paÃs.
Hoje, ao discursar no quinto dia da 74.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, a ministra lembrou as apreensões, que demonstram “vontade polÃtica e determinação do Governo” em combater “esse flagelo”, e avisou que o crime organizado põe em risco o esforço de estabilização.
“Sendo certo que não se trata de um fenómeno nacional, é inquestionável o aproveitamento que as instâncias do crime fazem da fragilidade do nosso Estado, envolvendo interesses locais bem instalados”, disse, apelando à comunidade internacional para o reforço dos mecanismos de acompanhamento do processo polÃtico e o apoio das instituições nacionais de segurança e justiça.
Suzi Barbosa começou por falar da vontade polÃtica do Governo de Aristides Gomes no processo de consolidação da paz e estabilização polÃtica, referiu “acordos sobre reformas do Estado” e disse que há um “ambicioso programa” para lutar contra a pobreza, promovendo a educação e apostando nos jovens e nas mulheres, tendo a igualdade de género sido um dos temas constantes do seu discurso.
“Sinais de esperança que não iludem a condição de Estado institucionalmente frágil, pós conflito e com parcos recursos financeiros. A Guiné-Bissau está em situação difÃcil e complexa, com ameaças internas e externas, para a qual a assistência internacional é chamada a exercer papel de estabilizadora”, disse.
Reiterando os apelos ao alargamento da composição do Conselho de Segurança da ONU, que a União Africana já tinha feito, a ministra apelou ainda à comunidade internacional para que garanta a operacionalidade da força conjunta internacional no Sahel, e ao apoio financeiro e técnico para as eleições presidenciais de 24 de novembro.
Na última quarta-feira, Aristides Gomes disse que a ação contra o narcotráfico é uma contribuição do paÃs para cortar as fontes de financiamento do terrorismo no Sahel.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, disse na sexta-feira à Lusa que pediu condições de segurança para os militares portugueses no Sahel e na República Centro-Africana (RCA), em reuniões de alto nÃvel em que participou nesta semana.
Santos Silva disse que a região do Sahel representa “uma questão essencial de segurança para Portugal” e que a prioridade para a região é garantir o apoio aos esforços de combate ao terrorismo e a criação de uma força conjunta pelos cinco paÃses do Sahel (o chamado G5, constituÃdo por Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e NÃger).
Augusto Santos Silva explicou que Portugal “tem interesses diretos no Sahel” e acrescentou que “basta pensar que paÃses de lÃngua portuguesa como a Guiné-Bissau estão imediatamente a sul da região”.
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