
Roma, 10 set 2019 (Lusa) — O novo Governo de Itália, uma coligação entre o Movimento 5 Estrelas (M5S, antissistema) e o Partido Democrático (PD, centro-esquerda) liderado por Giuseppe Conte, obteve hoje a confiança do Senado, último passo para a entrada em funções.
Na câmara alta do parlamento, o chamado “Governo Conte 2” obteve 169 votos a favor, 133 contra e cinco abstenções, segundo os resultados oficiais.
Conte já tinha obtido, na segunda-feira, a confiança da Câmara dos Deputados, a câmara baixa do parlamento, onde recolheu 343 votos a favr e 263 contra.
O discurso de Conte hoje no Senado, onde o M5S e o PD têm uma escassa maioria, foi recebido com aplausos mas também com protestos, com o lÃder da Liga (extrema-direita), Matteo Salvini, a acusá-lo de “trair os italianos”.
Salvini, que desencadeou a crise polÃtica que levou à formação da nova coligação de governo, acusou Conte de “estar agarrado à cadeira” de chefe do executivo “como uma velha múmia da primeira república”, uma referência ao perÃodo, após a II Guerra Mundial, em que a democracia-cristã dominava a polÃtica italiana.
“O senhor está em minoria neste paÃs […] Pode fugir durante alguns meses, mas não para sempre”, disse o lÃder da Liga (extrema-direita), referindo-se à s eleições regionais que se realizam em novembro em Itália (Calábria, EmÃlia-Romana e Úmbria).
Giuseppe Conte foi reconfirmado no cargo na semana passada à frente de uma nova coligação, entre o Movimento 5 Estrelas e o Partido Democrático, depois de Salvini ter declarado o fim da coligação que mantinha com o M5S e exigido eleições legislativas antecipadas para outubro.
Matteo Salvini, fortemente aplaudido pelos seus senadores, multiplicou na sua intervenção os ataques a Conte, afirmando nomeadamente que o primeiro-ministro não quer ir para eleições por ter “a consciência pesada”: “Para si, o importante é parar a Liga, para nós, é relançar o paÃs”, disse.
Na resposta, Conte nunca referiu o nome de Salvini, mas criticou “a arrogância daquele que exigia plenos poderes”, como fez o ditador Benito Mussolini, evocando a expressão dita por Salvini quando rompeu com o M5S e defendeu eleições antecipadas para ter “plenos poderes” para governar Itália.
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