
Aveiras de Cima, Lisboa 12 ago 2019 (Lusa) — O porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas Pedro Pardal Henriques fez hoje de manhã um balanço “extremamente negativo” do decurso da greve, acusando o Governo de não estar a respeitar a legislação laboral.
O advogado disse que vai apresentar provas das pressões que estão a ser exercidas sobre os trabalhadores e pede ao Governo que respeite o direito à greve.
Pedro Pardal Henriques referiu também que os serviços mÃnimos vão ser cumpridos apesar de, cerca das 09:00, ter anunciado o contrário.
“Vamos deixar de cumprir os serviços mÃnimos”, disse aos jornalistas o advogado do sindicato, pelas 09:00, em Aveiras de Cima, concelho da Azambuja, distrito de Lisboa.
Questionado pelos jornalistas após as declarações do primeiro-ministro, que apontou para o cumprimento dos serviços mÃnimos, Pardal Henriques disse que estes vão continuar a ser cumpridos.
“O que eu disse há uma hora e meia é que as pessoas que estão escaladas são escoltadas para fazer os serviços mÃnimos”, disse Pardal Henriques, notando que não pode exigir à s pessoas que não os cumpram, quando estão a ser obrigadas a trabalhar.
O advogado repetiu que vai apresentar provas das pressões que estão a ser exercidas sobre os trabalhadores.
Apela ao primeiro-ministro para que resolva a situação, respeite o direito à greve e promete continuar à mesa das negociações.
“Vão ter que aguentar com o Pedro Pardal Henriques até ao fim”, disse referindo-se à s declarações do advogado da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias ANTRAM), que defendeu o afastamento do advogado do sindicato nas negociações.
O porta-voz da ANTRAM lamentou na altura a postura do sindicato, apontando Pardal Henriques como alguém que “gosta de conflito constante, de crispação constante” e que, por isso, “torna impossÃvel o diálogo”.
Os camiões estão a sair, da Companhia LogÃstica de CombustÃveis, escoltados pela GNR, sendo visÃveis alguns militares.
Os motoristas cumprem hoje o primeiro dia de uma greve marcada por tempo indeterminado e com o objetivo de reivindicar junto da associação patronal ANTRAM o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.
A greve foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), tendo-se também associado à paralisação o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN).
O Governo decretou serviços mÃnimos entre 50% e 100% e declarou crise energética, que implica “medidas excecionais” para minimizar os efeitos da paralisação e garantir o abastecimento de serviços essenciais como forças de segurança e emergência médica.
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