
Hong Kong, China, 05 ago 2019 (Lusa) – A lÃder do executivo de Hong Kong disse hoje que a cidade está “à beira de uma situação muito perigosa” devido aos protestos, mas o Governo está determinado em garantir a ordem pública.
Num dia em que se inicia uma greve geral convocada pelo movimento pró-democracia e que está a causar grandes perturbações nos transportes, Carrie Lam sublinhou que as ações de protesto estão a atingir sobretudo a classe trabalhadora, a desafiar o princÃpio “um paÃs, dois sistemas” e a prosperidade da cidade, onde se vive o caos e a violência.
Os protestos de hoje, após dois dias de confrontos entre manifestantes e a polÃcia, já causaram a suspensão total ou parcial de pelos menos oito linhas de metro, indicou o jornal South China Morning Post (SCMP).
Esta é a terceira vez em três semanas que os manifestantes interrompem o serviço do metropolitano.
Pelo menos 105 voos, com partida do aeroporto internacional de Hong Kong, foram cancelados.
A Cathay Pacific e outras companhias aéreas domésticas, como a Hong Kong Airlines, foram as mais afetadas pelos cancelamentos, informou a emissora pública de Hong Kong RTHK.
O serviço de comboio rápido que liga o centro da cidade ao aeroporto também foi suspenso.
Hong Kong vive há dois meses um clima de contestação social desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.
A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam agora aquilo que os manifestantes afirmam ser uma “erosão das liberdades” na antiga colónia britânica.
A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princÃpio “um paÃs, dois sistemas”, precisamente o que os opositores à s alterações da lei garantem estar agora em causa.
Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um perÃodo de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nÃvel executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.
JMC // EJ
Lusa/Fim



