
Varsóvia, 22 mai (Lusa) — O vice-presidente da Comissão Europeia Frans Timmermans evocou hoje em Varsóvia a sua experiência de vÃtima de abuso sexual por um padre aos 13 anos para pedir à Igreja da Polónia que “não deixe impunes” estes crimes.
“Em primeiro lugar, e como disse publicamente na Holanda, digo a todas as vÃtimas: não tenham vergonha. A culpa não é vossa, vocês não fizeram nada de mal”, afirmou à imprensa.
“E à minha Igreja Católica: assegurem-se de que não há impunidade, analisem o problema, como fizeram outras Igrejas de outros paÃses, vão ao fundo da questão”, prosseguiu, pedindo que “denunciem à s autoridades” quem “praticou atos criminosos” para que possa ser julgado.
Timmermans, 58 anos, candidato socialista à sucessão do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, revelou no princÃpio dos anos 2000 ter sido vÃtima de abuso sexual de um padre norte-americano quando tinha 13 anos.
“Gostaria muito que a minha Igreja, em todo o mundo, passasse por um processo de verdade e reconciliação”, disse.
“Se queremos o perdão, e essa é também a minha experiência pessoal, o perdão exige o reconhecimento da culpabilidade […] Foi o que aconteceu no meu caso”.
As declarações de Timmermans em Varsóvia foram feitas numa altura em que os abusos sexuais a crianças por membros da Igreja Católica se tornaram um dos principais temas de debate, a dias das eleições europeias, na sequência da difusão de um documentário, que já foi visto 21 milhões de vezes.
Segundo analistas, a onda de choque suscitada pelo documentário “Não digas a ninguém”, dos irmãos Tomasz e Marek Sekielski, pode penalizar o partido conservador no poder, Lei e Justiça (PiS), próximo da Igreja, atualmente empatado nas sondagens com a Coligação Europeia (KE), que junta vários partidos da oposição.
Em face da polémica, o PiS aprovou na semana passada uma lei que agrava consideravelmente as penas por abusos sexual de menores e anunciou a criação de uma comissão para avaliar todos os casos e não apenas os que envolvem membros do clero.
A iniciativa foi criticada pela oposição, que quer que a Igreja Católica explique a sua fraca reação a este escândalo.
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