
Caracas, 15 mai 2019 (Lusa) — Membros da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polÃcia militar) impediram hoje, pelo segundo dia consecutivo, o acesso de jornalistas ao Parlamento da Venezuela, constatou a agência Lusa no local.
Os militares, segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNPT, siglas em castelhano), chegaram a ameaçar, hoje, os jornalistas que se encontravam nas proximidades da Assembleia Nacional (parlamento).
“O oficial Malaguera (Hernández, major) está a ameaçar ‘colocar ganchos’ (algemas) aos jornalistas que estão nas proximidades da AN. Ordenou à s mulheres militares para que atuem contra as jornalistas”, denunciou na sua conta do Twitter.
Por outro lado, o SNTP chama a atenção do Ministério Público salientando que “esta prática” de ameaçar jornalistas “é um delito”.
“Diz (o major Malaguera Hernández) que deterá quem não sair do local”, explica.
Segundo constatou a Agência Lusa, as dezenas de militares que controlam o acesso ao Parlamento permitiam a circulação de peões, mas obrigam os jornalistas a permanecer a pelo menos um quarteirão de distância.
No hemiciclo (onde a oposição detém a maioria) os deputados realizam hoje a sessão que estava prevista para terça-feira (14 de maio) mas que não se concretizou porque funcionários dos serviços secretos, da GNB e da PolÃcia Nacional Bolivariana, bloquearam os acessos à Assembleia Nacional, tanto a deputados como a jornalistas.
O bloqueio ao Parlamento, segundo a imprensa local, deveu-se à alegada suspeita da presença de um engenho explosivo, sobre o qual não houve declarações oficiais.
Terça-feira, mesmo com os acessos bloqueados, a outra assembleia, a Constituinte (composta unicamente por simpatizantes do regime) realizou uma sessão para levantar a imunidade parlamentar de cinco deputados opositores, aos que o regime acusa de conspiração e traição à pátria.
Na sessão de hoje, sem acesso à imprensa, a Assembleia Nacional (onde a oposição detém a maioria) iniciou um debate sobre o desaparecimento, desde há mais de 130 horas, do vice-presidente daquele organismo, o opositor Edgar Zambrano, que foi detido por funcionários dos serviços secretos.
Na agenda está ainda um debate “sobre a destruição do poder aquisitivo e do salário dos venezuelanos” e um “projeto de acordo para o restabelecimento do vigor da Convenção Americana sobre Direitos Humanos”.
A sessão começou com a incorporação oficial do deputado Fernando Orozco, afeto ao regime e membro do partido REDES, liderado pelo luso-descendente Juan Barreto, ex-presidente da Câmara Maior (municipal) de Caracas.
A oposição entende a presença deste deputado, como um reconhecimento a esse organismo, a pesar de ser minimizado e acusado pelo regime de não cumprir decisões do Supremo Tribunal de Justiça.
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