
Luanda, 10 mai 2019 (Lusa) – O Presidente angolano pediu hoje ao novo Conselho de Administração da Sonangol maior velocidade no processo de construção de refinarias em Angola, para que “jamais se repitam os momentos difÃceis” da escassez de combustÃvel que o paÃs atravessou.
João Lourenço, que falava na cerimónia de tomada de posse do novo Conselho de Administração da petrolÃfera estatal angolana, disse que “gostaria imenso” que a escassez de combustÃvel “não voltasse a se repetir”.
“Tal como o sangue que corre nas nossas veias e que nos faz viver, também o combustÃvel para um paÃs acaba por ser esse mesmo sangue, que faz mover a economia e fazer com que o bem-estar dos cidadãos seja garantido, desde que haja combustÃvel e, portanto, energia”, comparou João Lourenço.
Segundo o chefe de Estado angolano, foi um momento difÃcil, entretanto, ultrapassado, e a esperança está depositada no novo Conselho de Administração da Sonangol, para que jamais se repitam os momentos difÃceis que se enfrentaram nas últimas semanas.
“Depositamos a esperança em que, com o vosso trabalho, com modéstia, com espÃrito de equipa, façam tudo para que jamais se repitam os momentos difÃceis que acabamos de atravessar e é precisamente nesses momentos que nos recordamos da imperiosa necessidade de o paÃs ter capacidade de refinar os seus próprios produtos derivados do petróleo bruto”, frisou.
O chefe de Estado angolano reiterou a necessidade de o paÃs ter refinarias, “não importa se por via do investimento público ou do investimento privado”, desde que o paÃs crie capacidade para produzir o diesel, a gasolina, os óleos e outros derivados de petróleo, tornando-se autossuficiente para as suas necessidades e exportação dos excedentes.
“Considero que, entre as diferentes missões que são da vossa responsabilidade, sem sombra de dúvidas, que esta deve ser considerada a prioritária. Sabemos que está em curso o processo para tornar este sonho realidade e o que gostaria de vos pedir é que imprimam outra velocidade neste mesmo processo que já está em curso”, exortou.
Em declarações à imprensa, o Presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Sebastião Pai Querido Gaspar Martins, que substituiu no cargo Carlos Saturnino, exonerado na quarta-feira pelo Presidente angolano, disse que as prioridades estão definidas, sendo o programa de regeneração da empresa a garantia para que o “core business’ da petrolÃfera estatal seja “explorar, produzir, distribuir, refinar petróleo bruto e gás para a sociedade”.
“Acabamos de ouvir as palavras do Presidente da República, que definiu claramente as preocupações do executivo e que têm de ser também as preocupações deste novo Conselho de Administração, que têm a ver com a garantia de abastecimento de produtos refinados ao paÃs e, ao mesmo tempo, ter a certeza que este produto se mantém contÃnuo, o que passa pela construção das refinarias que fazem parte da nossa atividade”, referiu.
Relativamente aos subsÃdios dos combustÃveis pelo Estado, Sebastião Martins disse que há um trabalho conjunto com vista a analisar até que ponto podem “ser aligeirados”, tendo em conta que “a empresa tem estado, de facto, numa situação em que a parte dos subsÃdios pesa bastante na tesouraria”.
Questionado sobre se haverá aumento do preço dos combustÃveis, o presidente do Conselho de Administração da Sonangol não avançou quando se vai verificar, comentando apenas que há um trabalho conjunto de concertação, “de modo a que todos se sintam satisfeitos”.
“O certo é que tem de ser um preço que satisfaça de modo financeiro os cofres do Estado, mas que também faça com que a população não seja penalizada”, realçou.
Sobre a escassez de combustÃvel, o responsável disse estar a ser ultrapassada, afirmando que “há stock suficiente” e que as longas filas nos postos de abastecimento que ainda se verificam são “apenas uma questão de tempo”.
“O que acontece neste momento é o efeito que normalmente sucede logo a seguir a questões de stock reduzido. Mas, como estamos numa fase em que o produto existe e o fornecimento aos postos de abastecimento também está a ocorrer, é apenas uma questão de tempo. Rapidamente estará debelado”, referiu.
As mudanças de João Lourenço na administração da Sonangol aconteceram na sequência da crise de combustÃveis que está a afetar Angola desde sexta-feira passada, que levou a uma escassez de gasolina e gasóleo em todo o paÃs, face a alegadas dificuldades da petrolÃfera estatal angolana em importar o produto por falta de divisas.
Na terça-feira, após uma reunião que João Lourenço manteve com a equipa económica do Governo e com a administração da Sonangol, um comunicado da Casa Civil do Presidente de Angola indicou que a falta de diálogo entre a petrolÃfera estatal e o Governo “contribuiu negativamente” para o processo de importação de combustÃveis e consequente escassez do produto no mercado em todo o paÃs.
NME (JSD) // VM
Lusa/Fim



