
Naypyidaw, 23 abr 2019 (Lusa) – O Supremo Tribunal de Myanmar rejeitou hoje o recurso dos dois jornalistas da agência de notÃcias Reuters e confirmou as sentenças de prisão de sete anos na sequência de reportagens sobre a repressão militar contra a minoria muçulmana rohingya.
Wa Lone e Kyaw Soe Oo, no inÃcio deste mês, partilharam com os seus colegas da Reuters o Prémio Pulitzer de reportagem internacional, uma das maiores distinções do jornalismo.
Os dois jornalistas, condenados por investigarem o massacre dos rohingyas pelo exército de Myanmar, apresentaram a 26 de março o seu último recurso ao Supremo Tribunal do paÃs.
Em janeiro, os dois repórteres tinham sido novamente condenados, em segunda instância, a sete anos de prisão.
Wa Lone e Kyaw Soe Oo foram considerados culpados de ter infringido a lei sobre os segredos de Estado, que data da era colonial.
Os dois jornalistas foram acusados de se terem apoderado de documentos classificados como secretos relativos à s operações das forças de segurança no Estado de Rakhine, região do noroeste de Myanmar, palco das atrocidades cometidas contra a minoria muçulmana rohingya do paÃs.
Quando foram detidos, em dezembro de 2017, estavam a investigar o massacre de rohingyas em Inn Din, uma aldeia do norte do Estado de Rakhine.
Desde então, o Exército reconheceu que realmente tinham sido cometidas atrocidades em setembro de 2017, e sete militares foram condenados a dez anos de prisão.
Ambos os repórteres declararam sempre ter sido enganados, e um dos polÃcias que testemunhou no julgamento admitiu que o encontro durante o qual os documentos secretos lhes foram entregues foi “uma armadilha” destinada a impedi-los de prosseguir o seu trabalho.
Desde 2017, mais de 700.000 rohingyas abandonaram a região, fugindo à violência do exército birmanês e de milÃcias budistas e refugiaram-se em campos improvisados no vizinho Bangladesh, um dos paÃses mais pobres do mundo.
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