
Vila Nova de Gaia, Porto, 14 abr 2019 (Lusa) – O secretário-geral do PS, António Costa, disse hoje que o “PSD merece um voto de censura nestas eleições europeias” pelo “descaramento” de ter voltado a apresentar um cabeça-de-lista que “nada fez por Portugal e pelos portugueses”.
“É preciso ter memória e não esquecer. E é preciso ter um grande descaramento para, pela terceira vez, apresentarem um cabeça-de-lista que nada fez por Portugal e pelos portugueses”, disse António Costa, sem nunca referir o nome de Paulo Rangel, candidato do PSD à s eleições europeias de 26 de maio.
O secretário-geral do PS, que participa num almoço em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, que conta também com a presença do cabeça-de-lista socialista à s eleições europeias, Pedro Marques, num discurso perante centenas de militantes defendeu que “o PSD merece um voto de censura nestas eleições europeias”.
Já sobre Pedro Marques, disse que este é um candidato de que Portugal e o PS se podem “orgulhar” porque, tendo começado carreira numa câmara, a do Montijo, “sabe bem o que é o poder local” e, como ministro, “andou de concelho em concelho a discutir programas para o paÃs”.
“Há razões para que o PS mereça a confiança e o PSD mereça a censura. Percebo muito bem o que o PSD quer começar aqui, na campanha à s europeias. Quer começar o assalto ao poder e mudar a polÃtica que começámos há três anos”, disse, dando vários exemplos, nomeadamente que foi a polÃtica socialista que “permitiu a Portugal crescer acima da média europeia pela primeira vez”.
António Costa, que à entrada para o Pavilhão Municipal de Avintes foi recebido por um protesto de lesados do BES/Novo Banco e lá dentro encontrou uma plateia de centenas de militantes, começou o discurso com a mesma frase com que o presidente do PS/Porto, Manuel Pizarro, terminou o seu: “Quanto mais a luta aquece, mais força é necessário dar ao PS”.
Depois, Costa frisou que “é preciso dar força ao PS porque votar no PS é um dois em um” e explicou que em causa está o paÃs, a Europa, mas também Mário Centeno.
Já voltando ao voto de censura que acha que o PSD merece, o lÃder socialista pediu que “ninguém se esquecesse que foi o PS quem conseguiu há três anos fazer a mudança da polÃtica em Portugal e ao mesmo tempo defender o euro e defender a Europa contra tudo e contra todos”.
“Mas quando nós nos batemos para fazer esta mudança, o candidato do PSD a presidente da Comissão Europeia, o senhor [Manfred] Weber, aquilo que pedia era que fossem aplicadas sanções a Portugal. Mas a verdade é que Weber não estava sozinho. Não foi só um alemão e ele não estava sozinho. Paulo Rangel nesse dia não faltou ao Parlamento Europeu”, referiu.
Costa defendeu que “enquanto Elisa Ferreira defendia o Governo português e a situação polÃtica portuguesa na Europa, defendia Portugal, defendia a recuperação portuguesa”, Rangel dizia à Comissão Europeia para vir a Portugal porque era preciso impedir a reposição dos rendimentos, a baixa do IVA e a reposição das pensões”.
Por fim, António Costa salientou que a “prioridade” do seu Governo é “emprego, emprego e emprego” porque, disse, “o emprego é a chave do combate à pobreza e das polÃticas de inclusão”.
E ainda sobraram algumas crÃticas ao lÃder do PSD, Rui Rio, em temas como a Caixa Geral de Depósito (CGD) e o passe único.
“Esta semana foi o próprio Rui Rio a dizer que era tempo de pensar se podemos privatizar a Caixa Geral de Depósitos. O que temos a dizer é ‘não’, porque é tempo de manter a CGD como grande banco de todos os portugueses (…). Rui Rio disse, sobre o passe único, que o passe único era uma medida errada. O que devemos perguntar é: e se ele for Governo acaba com o passe único ou continua com o passe único?”, terminou.
Também Pedro Marques, na sua intervenção, se dirigiu a Rui Rio, a quem exigiu que explique se “o banho de ética” que quer na polÃtica é “compatÃvel com as faltas” no Parlamento Europeu de Paulo Rangel, “um cabeça de lista [do PSD nas europeias] que é das pessoas que mais faltou no Parlamento Europeu”.
O candidato socialista frisou que o PSD deve explicações aos portugueses por apostar num candidato que “tanto faltou e ao mesmo tempo trabalhava como advogado de negócios no setor privado”.
Já à margem do perÃodo de intervenções, Pedro Marques estendeu este pedido de explicações “aos candidatos de direita”, acusando-os ainda de “a pouco mais de um mês das eleições ainda não terem apresentado propostas” para serem debatidas.
Confrontado pela Lusa com o facto do cabeça de lista do CDS-PP, Nuno Melo, ter na semana passada acusado António Costa de “esconder” o ‘número um’ do PS, Pedro Marques respondeu: “Temos debates marcados há muito tempo. Essas crÃticas não me merecem credibilidade nenhuma”.
O candidato socialista frisou que o seu “trabalho está à vista”, apontando que “infelizmente” não consegue “comentar” o trabalho dos seus adversários porque, disse, “não há trabalho nenhum”.
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