
São Tomé, 12 abr 2019 (Lusa) — O chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) afirmou ser necessário criar condições para uma “maior atratividade e retenção” dos militares, referindo que o estudo hoje apresentado vai dar “credibilidade” à s decisões a tomar.
“Era algo que nós já conhecÃamos, mas este estudo tem uma enorme virtude, porque é um estudo feito com base cientÃfica e em boa hora foi feito. Vai ajudar a tomar um conjunto de decisões fundamentadas sobre a possibilidade de se criarem condições de maior atratividade e retenção dos militares nas Forças Armadas”, disse o almirante Silva Ribeiro em declarações à agência Lusa.
Os militares portugueses em regime de voluntariado ou contrato estão insatisfeitos com o percurso profissional nas Forças Armadas (FA), especialmente no Exército, mas os três ramos queixam-se também de baixos salários.
As conclusões são de um trabalho que juntou académicos e especialistas do Ministério da Defesa e que esteve na base de um plano de ação para a profissionalização do serviço militar, que é hoje apresentado.
O CEMGFA defendeu que as FA devem competir pelos melhores recursos do paÃs, salientando que para isso é necessário olhar para as condições de prestação do serviço militar, no caso dos voluntários e contratados.
“A discrepância de quase 300 euros entre aquilo que era retribuição que um praça recebia no perÃodo da recruta e o que recebia um soldado da GNR criava condições de disparidade que têm de ser resolvidas”, salientou.
O almirante Silva Ribeiro defendeu ainda que é que necessário estruturar o serviço militar no regime de contrato até aos 18 anos, explicando que a medida governamental já foi aprovada e falta agora que os ramos das FA definam os processos e especialidades onde vai ocorrer.
Outra questão que o CEMGFA considera essencial é a possibilidade de a Força Aérea e o Exército terem praças do quadro permanente, pois assim “vai dar oportunidades de carreira a quem entra pelos escalões mais baixos”.
Silva Ribeiro referiu ainda que as FA estão autorizadas a ter até 30 a 32 mil militares, mas que neste momento têm apenas 26.700, o que exige mais trabalho aos militares, reiterando a importância do estudo ao dar “credibilidade à s decisões que vão ter de ser tomadas”.
“Vai demorar algum tempo, porque primeiro temos de criar condições de atratividade. Este documento mostra as medidas estruturantes, vamos analisar e têm de ser ponderadas devido aos seus custos. Acredito que com esta fundamentação e um bom plano, em quatro ou cinco anos, conseguimos ultrapassar a situação”, concluiu.
O estudo faz uma caracterização sociodemográfica dos militares e o que os motivou a ir para as FA, e na satisfação diz que os nÃveis “não são muito elevados” quanto ao percurso profissional.
Segundo o trabalho, na Marinha 60% dos militares inquiridos mostraram-se insatisfeitos com o salário, queixando-se também das condições de apoio e das perspetivas de carreira e tarefas que desempenham.
No Exército os militares “mostraram baixos nÃveis de satisfação na generalidade dos indicadores” e na Força Aérea queixaram-se do fator remuneratório.
Para caracterizar os militares em regime de Voluntariado e Contrato (o estudo incide apenas sobre estes) foram ouvidos 5.136 elementos do Exército, 1.366 da Força Aérea e 819 da Marinha.
O estudo foi coordenado pelo Ministério da Defesa e teve a coordenação cientÃfica de Helena Carreiras, especialista em sociologia militar, do ISCTE-IUL.
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