
Lisboa, 21 fev (Lusa) — O Governo português aguarda que a Assembleia Nacional venezuelana comunique formalmente a intenção de alterar o representante diplomático em Portugal para depois tomar uma decisão, disse hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva.
“Aguardamos que a Assembleia Nacional venezuelana, querendo, nos comunique formalmente a decisão que terá tomado para examinarmos então, à luz do direito internacional, e também da nossa própria posição” a resposta a dar, disse Augusto Santos Silva.
Em conferência de imprensa no final da reunião do Conselho de Ministros, Santos Silva recordou a posição de Portugal face à crise polÃtica na Venezuela, de “reconhecer o presidente da Assembleia Nacional como Presidente interino encarregado de organização de eleições presidenciais”.
Santos Silva frisou que compete ao Ministério dos Negócios Estrangeiros “instruir os processos” relativos à s representações diplomáticas, mas as decisões “envolvem vários órgãos de soberania, designadamente Presidente da República e Governo”.
O Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, nomeou na terça-feira José Rafael Cotte para o cargo de embaixador da Venezuela em Lisboa.
Do grupo de representantes anunciado por Guaidó, destaque ainda para a escolha de Antonio Ecarri, vice-presidente do partido Ação Democrática, como embaixador em Madrid, capital espanhola.
O representante diplomático de Caracas constante da lista de corpo diplomático acreditado em Portugal é Lucas Rincón Romero, que apresentou credenciais em 24 de outubro de 2006.
A crise polÃtica na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o lÃder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.
Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.
Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.
A maioria dos paÃses da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.
Esta crise polÃtica soma-se a uma grave crise económica e social que levou mais de 2,3 milhões de pessoas a fugirem do paÃs desde 2015, segundo dados das Nações Unidas.
Na Venezuela residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.
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