
Redação, 13 fev (Lusa) — Os principais indicadores económicos do setor empresarial não financeiro em Portugal aceleraram o crescimento em 2017, com o setor do alojamento e restauração a destacar-se com os “crescimentos mais expressivos”, divulgou hoje o Instituto Nacional de EstatÃstica (INE).
Segundo os dados definitivos de 2017 do INE, o volume de negócios, o VAB (Valor Acrescentado Bruto) e o Excedente Bruto de Exploração (EBE) do setor empresarial não financeiro cresceram 9,1%, 8,5% e 9,4% em termos nominais, respetivamente (2,7%, 6,0% e 8,4% em 2016).
O pessoal ao serviço aumentou 5,1% (3,5% em 2016) atingindo um total de 3.892.218 pessoas, enquanto a remuneração por pessoa ao serviço e o VAB por pessoa ao serviço aumentaram respetivamente 2,4% e 3,1% (0,9% e 2,5% em 2016).
De acordo com o INE, estes resultados revelam “um panorama mais favorável” do que os provisórios divulgados em outubro de 2018, revendo “ligeiramente em alta” os principais indicadores económicos das empresas não financeiras sobretudo devido à inclusão da informação das empresas individuais, que nos dados provisórios é ainda estimada.
Por setor de atividade, o alojamento e restauração destacou-se com os “crescimentos “mais expressivos em 2017 na generalidade dos indicadores económicos”, apresentando aumentos de 18,6% no volume de negócios e de 23,1% no VAB (15,4% e 22,9%, respetivamente, em 2016).
Observou-se ainda que 20,8% das sociedades não financeiras apresentaram VAB negativo e 39,4% resultados lÃquidos negativos, o que traduz melhorias de 0,6 e de 1,5 pontos percentuais face a 2016, respetivamente.
Em 2016, exerciam atividade em Portugal 11.526 grupos de empresas nacionais e multinacionais. Destes, 7.826 grupos tinham o centro de decisão localizado em Portugal e os restantes grupos tinham controlo estrangeiro.
Em 2017, os nascimentos de empresas cresceram 5,5% e, pela primeira vez nos últimos cinco anos, o pessoal ao serviço por sociedade criada excedeu a mesma relação entre sociedades que morreram (2,1 face a 1,8 pessoas ao serviço por sociedade, respetivamente).
Segundo o INE, a demografia (entradas – saÃdas) contribuiu positivamente para o crescimento do pessoal ao serviço (+0,8 pontos percentuais), das remunerações (+0,1 pontos percentuais) e do VAB (+0,5 pontos percentuais), contrariando o cenário observado em 2016 (-0,2, -0,6 e -0,1 pontos percentuais, pela mesma ordem).
Do total das 394.967 sociedades não financeiras, 6.384 eram de elevado crescimento, “o número mais elevado desde 2013”, tendo o VAB por elas gerado somado 12.941 milhões de euros, correspondendo a 19,1% do valor total das sociedades com dez ou mais pessoas remuneradas (+2,3 pontos percentuais do que em 2016).
Em 2017, as sociedades integradas em grupos representaram 7,4% do total de sociedades não financeiras, contribuÃram com 63,6% do volume de negócios, 60,6% do VAB e empregaram 39,9% das pessoas ao serviço.
De acordo com o INE, apresentaram ainda um indicador de qualificações do pessoal ao serviço superior ao registado pelas sociedades não integradas em grupos.
O instituto nota que “desde 2013 que a produtividade aparente do trabalho das sociedades não financeiras tem evoluÃdo favoravelmente”, sendo que as pequenas e médias empresas registaram “uma evolução claramente mais favorável face à s grandes sociedades” quer na remuneração média mensal, quer na produtividade.
Aliás, refere, as grandes sociedades observaram mesmo um decréscimo de 456 euros no valor da produtividade entre 2016 e 2017.
Em linha com a tendência geral, as sociedades com perfil exportador registaram um crescimento na generalidade dos indicadores económicos em 2017, sendo que existiam nesse ano mais 4,4% de sociedades com perfil exportador do que no ano anterior, totalizando 24.784 empresas.
De acordo com o INE, apesar deste tipo de sociedades representar “uma pequena porção” em termos de número (6,3% do total de sociedades não financeiras), concentraram 23,0% do pessoal ao serviço, 34,9% do volume de negócios e 33,0% do VAB.
As sociedades dos setores de alta e média-alta tecnologia, que representaram 9,9% do volume de negócios e 12,0% do VAB do total das sociedades não financeiras, pagavam, em média, quase mais 500 euros de remuneração mensal que o total das sociedades, apresentando também uma produtividade aparente do trabalho superior em cerca de 20 mil euros à do total das sociedades não financeiras (48,9 mil euros face a 29,0 mil euros, respetivamente).
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