
Lisboa, 12 fev (Lusa) – O ministro da Economia defendeu hoje que é preciso “continuar a intensificar o apoio ao investimento” e sublinhou que aumentar a produtividade “é essencial” para criar emprego de qualidade e subir salários, “uma batalha que tem de ser de todos”.
Pedro Siza Vieira falava no almoço da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, que decorreu hoje em Lisboa.
No final do almoço, o ministro Adjunto e da Economia respondeu a algumas questões colocadas por participantes no evento, tendo afastado o cenário de um referendo sobre a regionalização e destacado o esforço das empresas e das famÃlias em reduzir o nÃvel de endividamento, apontando também a “intolerância” perante a corrupção.
“Apesar do crescimento do investimento estar a ser muito significativo, ele não foi sequer suficiente para repor a depreciação de capital que se verificou durante esta década e, portanto, claramente temos que continuar a intensificar o apoio ao investimento”, considerou o governante.
Por isso, “num paÃs que tem pouca poupança, num paÃs que viveu anos muito intensos de destruição de capital pelos fenómenos que conhecemos, o apoio ao investimento tem que ser muito significativo”, defendeu.
Pedro Siza Vieira salientou também que as famÃlias continuam a reduzir o nÃvel de endividamento.
“Ouvimos falar muito do crescimento dos fluxos do crédito à habitação, ao consumo, mas a verdade é que os fluxos de crédito novo são ainda inferiores à redução do endividamento das famÃlias. As famÃlias continuam a fazer um esforço muito intenso de redução do seu endividamento”, apontou.
Além disso, “as empresas estão a reduzir também o seu endividamento, fizeram grande esforço de redução do endividamento”, sublinhou o ministro com a pasta da Economia, considerando que Portugal “está numa situação em que a redução da dÃvida pública tem que continuar a ser uma prioridade da polÃtica financeira do Estado”.
“E é isso que, pelo menos enquanto este Governo for Governo, continuará a fazer”, garantiu.
O ministro contou ainda um episódio com um investidor que contava que apostava em Portugal porque os salários no paÃs eram baixos.
“E a ironia cruel desta conversa é esta: a melhor mão-de-obra da Europa não pode ser mais bem remunerada”, comentou o governante.
“Isto é um problema terrÃvel porque também significa que os nossos melhores trabalhadores vão para fora, emigram”, por isso “se não conseguimos trabalhar nos vários custos de contexto, se não conseguirmos aumentar a produtividade, nós não vamos conseguir pagar melhores salários, nós não vamos reter aquilo que é o nosso maior ativo que é a mão-de-obra”, apontou Pedro Siza Vieira.
Este trabalho de crescimento da produtividade “é essencial para conseguirmos criar emprego de qualidade e para conseguirmos subir os salários, que é uma batalha que tem de ser todos”, rematou.
“Aquilo que vemos é que, entre os 28 paÃses da União Europeia, Portugal está em 13.º lugar entre os menos corruptos, acima de nós estão os paÃses do norte da Europa Ocidental, abaixo de nós estão todos os paÃses da Europa do sul e todos os paÃses da Europa de Leste, tirando a Estónia”, salientou, quando falava de corrupção.
“Portanto, o que é que acho que é importante nós dizermos: Temos de continuar a ser absolutamente exigentes e intolerantes, cada vez mais intolerantes, à quilo que são práticas menos transparentes, à informalidade administrativa e tudo aquilo que propicia a corrupção”, sublinhou o ministro.
Na sua intervenção inicial, o governante destacou que “Portugal está num momento em que se apresenta na Europa e no mundo com confiança nas mudanças por que o paÃs passou”.
“Passámos momentos de grande dificuldade, mas soubemos atravessá-lo e sair dele com outro tipo de dinamismo e de capacidade, estamos estruturalmente capacitados e estamos irmanados com Espanha neste mesmo momento económico e também numa perspetiva comum sobre qual deve ser o futuro da Europa e do mundo para enfrentarmos os desafios que inevitavelmente se vão colocar”, considerou Pedro Siza Vieira.
ALU // EA
Lusa/Fim



