
Lisboa, 31 jan (Lusa) — A Ordem dos Enfermeiros afirma que na primeira greve em blocos operatórios não houve qualquer situação que tivesse posto em risco a vida das pessoas e considera adequados os serviços mÃnimos definidos.
A propósito da segunda greve cirúrgica que hoje começou, a bastonária dos Enfermeiros recorda que a Ordem acompanhou o cumprimento dos serviços mÃnimos e não detetou que alguma cirurgia prioritária tivesse sido adiada.
“Pelo contrário, todos os conselhos de administração dos hospitais nos garantiram que os enfermeiros tinham ido além dos serviços mÃnimos e aberto mais salas cirúrgicas”, afirmou Ana Rita Cavaco em entrevista à agência Lusa.
A bastonária entende que “os serviços mÃnimos estão ajustados”.
“Não houve nenhuma situação que tivesse posto em risco a vida de ninguém, nem houve cirurgias prioritárias a ser adiadas”, reiterou.
Sobre questões éticas e deontológicas que a ministra da Saúde diz estarem em causa nesta greve, Ana Rita Cavaco entende que “os enfermeiros não recebem lições” neste aspeto.
Além disso, afirma que é necessário ver “aspetos éticos e deontológicos” noutras situações, aludindo a casos de hospitais que “estão a cancelar cirurgias” por estarem sem capacidade, dada a afluência de doentes no perÃodo da gripe e do frio.
“Há inúmeros hospitais do paÃs a fazer o adiamento e cancelamento de diversas cirurgias para fazer face ao aumento da procura que têm. E não sabemos quais nem em que condições estão a ser canceladas ou adiadas. Essa é também uma reflexão ética e deontológica que o Ministério da Saúde deve fazer”, declarou à Lusa.
Ana Rita Cavaco insiste que é necessário Portugal fazer uma reflexão sobre as listas de espera, quer em cirurgias quer em consultas.
A bastonária refere que já no perÃodo após a primeira greve cirúrgica houve enfermeiros, em alguns hospitais, a manter blocos operatórios abertos todo o dia, mas em que não houve produção cirúrgica até à s 20:00.
“Mas depois das 20:00 foram operar cirurgia oncológica. A partir dessa hora é o programa de recuperação de listas de espera onde as pessoas ganham mais dinheiro [têm compensações financeiras]. Deixemos de ser hipócritas e de tentar atirar para a greve dos enfermeiros os problemas que já lá estavam antes”, adiantou à Lusa.
Ana Rita Cavaco recorda ainda que um relatório do Tribunal de Contas de 2017 apontava pata “manipulação de dados referentes à s listas de espera”, sem que tivesse havido consequências.
Aliás, na altura o Ministério da Saúde chegou a criar um grupo técnico independente para estudar o assunto, mas até hoje as conclusões não foram divulgadas.
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