
Lisboa, 30 jan (Lusa) — A poesia completa de Fernando Assis Pacheco vai ser reunida num só volume, pela primeira vez, editado pela Tinta-da-China, com chegada à s livrarias prevista para o dia 15 de fevereiro.
Com o tÃtulo “A musa irregular — edição aumentada”, esta compilação de Fernando Assis Pacheco é o novo tÃtulo a ser lançado na coleção de poesia dirigida por Pedro Mexia, organizado por Abel Barros Baptista, com posfácio de Manuel Gusmão.
Poeta do “tom menor”, como lembra Manuel Gusmão, Fernando Assis Pacheco seria avesso a que lhe publicassem uma “obra poética”, pelo que a Tinta-da-China optou por recuperar aqui a coletânea e o “imbatÃvel tÃtulo ‘A Musa Irregular’ (1991), numa edição aumentada que inclui o livro autoelegÃaco e fescenino ‘Respiração Assistida’ (2003) e um novo ‘lote de salvados’, ou seja, de inéditos e dispersos”, segundo Pedro Mexia.
“Tendo-se estreado em 1963, Assis publicou nessa década e na seguinte os mais memoráveis poemas portugueses sobre a guerra colonial, graves, sarcásticos, fraternos, amargos. Desconfiados da grandiloquência, são ‘poemasÂ-reportagem’ sobre o torpor e o medo, sobre os companheiros de armas. A segunda metade da produção de Assis é marcada pela agilidade e a diversidade: poemas coloquiais, melancólicos, auto-irónicos, experimentais, afetivos, facetos, atreitos à quebra sintáctica e à corruptela ortográfica”, explica o responsável pela coleção.
Pedro Mexia, também ele poeta, além de cronista e crÃtico literário, refere que “o jornalista Assis dedica-se a uma poesia da ocorrência, tanto quanto da experiência: os amigos partindo-se, os reencontros tristes, os avós galegos, a amada e os seis filhos, Campo de Ourique, a Coimbra estudante ou futrica, a lÃrica bucólica de Pardilhó”.
“E o tempo que passa, o tempo que passou”, acrescenta.
Do mesmo autor, a Tinta-da-China já publicou “Tenho cinco minutos para contar uma história” – as crónicas com que Fernando Assis Pacheco animava as manhãs da RDP entre 1977 e 1978 — e “Bronco Angel, o cow-boy analfabeto”, novela humorÃstica escrita sob o pseudónimo William Faulkingway, publicada como folhetim no jornal satÃrico “O Bisnau”, na década de 1980.
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