
Londres, 29 jan (Lusa) – A primeira-ministra britânica, Theresa May, quer reabrir o acordo de saÃda que assinou em novembro com a União Europeia, afirmou hoje um porta-voz do Governo, pouco antes do inÃcio de um debate sobre o ‘Brexit’ no Parlamento.
“O Reino Unido continua a acreditar que é do seu maior interesse sair com um acordo, mas temos de ter um acordo que possa ter o apoio do Parlamento e isso exigirá algumas alterações ao acordo de saÃda”, justificou a mesma fonte, numa conferência de imprensa diária.
LÃderes europeus têm repetido não estarem dispostos a reabrir o documento que demorou 17 meses a finalizar, mas deputados eurocéticos recusam-se a aprovar o texto por discordarem com a solução de salvaguarda para a Irlanda do Norte.
Este mecanismo, conhecido por ‘backstop’, destina-se a evitar uma fronteira fÃsica entre aquela provÃncia britânica e a vizinha Irlanda de forma a respeitar os compromissos do acordo de paz de 1998.
A dois meses do ‘Brexit’, os deputados britânicos vão tentar hoje decidir sobre o rumo deste processo, depois de terem rejeitado há duas semanas, por uma margem de 230 votos, o acordo de divórcio negociado com Bruxelas.
Um debate parlamentar vai culminar na votação de diferentes alternativas, que poderão desde propor o adiamento da data da saÃda, a 29 de março, a uma proposta para remover e substituir o ‘backstop’.
A falta de consenso sobre o acordo aumentou o risco de uma saÃda sem acordo, o que, de acordo com várias empresas, poderá ter impacto na circulação de bens importados da UE, como medicamentos, produtos alimentares frescos ou peças e materiais usados pela indústria.
Após o chumbo do acordo, a primeira-ministra, Theresa May, reuniu com dirigentes de partidos da oposição para tentar sair do impasse.
Porém, não aceitou as reivindicações para organizar um novo referendo ou pedir uma extensão do artigo 50.º do tratado europeu, cujo perÃodo de dois anos de negociação para o divórcio, acaba dentro de 59 dias.
O lÃder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, recusou falar com May enquanto a primeira-ministra não descartasse uma saÃda sem acordo e aceitasse discutir a negociação de uma união aduaneira com a UE.
BM // ANP
Lusa/fim



