
Bagdade, 06 nov (Lusa) – Mais de 200 valas comuns com cerca de 12.000 corpos foram descobertas em diversas provÃncias iraquianas, onde terão sido realizadas pelo grupo Estado Islâmico entre 2014 e 2017, anunciou hoje a ONU, que estima que existam “muitas mais”.
No seu relatório, a missão das Nações Unidas de assistência ao Iraque e o gabinete dos direitos Humanos da ONU apelam à s autoridades iraquianas que preservem estes locais para que seja possÃvel extrair provas dos crimes dos extremistas islâmicos e dar respostas à s famÃlias dos desaparecidos.
De entre as valas comuns, descobertas nas provÃncias de Ninive, Kirkuk e Salaheddine (norte), bem como em al-Anbar (oeste), apenas 28 foram investigadas e 1.258 corpos exumados pelas autoridades iraquianas, segundo a ONU.
A organização admite que algumas escondam vários milhares de cadáveres, como é provavelmente o caso de uma cavidade natural a sul de Mossul, o antigo bastião do Estado Islâmico (EI) no norte do Iraque, onde os habitantes contam que os jihadistas executavam diariamente dezenas de iraquianos, nomeadamente membros das forças de segurança.
Mais de um ano após o anúncio por Bagdad da sua vitória sobre o EI, “as provas reunidas nestes locais serão centrais”, defende o relatório, que pede à s autoridades que preservem as valas e realizem exumações seguindo as regras.
Só assim será possÃvel “garantir investigações credÃveis, processos e condenações conformes com os padrões internacionais”, afirmam os autores do relatório da ONU.
Segundo o documento, os extremistas perpetraram durante três anos “violações sistemáticas dos direitos humanos e do direito humanitário, atos que podem constituir crimes de guerra, crimes contra a humanidade e um possÃvel genocÃdio”.
A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse que embora os “crimes horrÃveis do EI no Iraque já não façam manchetes nos jornais, o trauma das famÃlias das vÃtimas continua e o destino de milhares de mulheres, homens e crianças ainda é desconhecido”.
“Determinar as circunstâncias destas muitas mortes será uma etapa importante no processo de luto das famÃlias e no percurso para garantir o seu direito à verdade e à justiça”, disse por seu lado o relator especial da ONU no Iraque, Jan Kubis.
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