
Maputo, 04 out (Lusa) – Noventa pessoas morreram e 67 ficaram feridas desde o inÃcio dos ataques protagonizados por grupos armados em aldeias da provÃncia de Cabo Delgado, norte de Moçambique, há um ano, disse hoje a polÃcia moçambicana.
“Os malfeitores, até neste momento, causaram a morte de 90 cidadãos moçambicanos e feriram 67 moçambicanos”, disse Bernardino Rafael, comandante-geral da PolÃcia da República de Moçambique (PRM), falando momentos após a cerimónia, em Maputo, de celebração do dia da paz e reconciliação em Moçambique, que hoje se assinala.
No balanço, o comandante-geral da PRM disse ainda que os grupos armados destruÃram um total 1.605 casas em aldeias da provÃncia de Cabo Delgado.
A ação das Forças de Defesa e Segurança, acrescentou Bernardino Rafael, culminou com a detenção 280 pessoas suspeitas de envolvimento nos ataques, tendo destruÃdo três acampamentos deste grupo.
“Há um trabalho que a polÃcia está a fazer junto com as comunidades”, declarou Bernardino Rafael, acrescentando que “as Forças de Defesa e Segurança continuam a trabalhar para proteger as populações daquela região”.
Povoações remotas da provÃncia de Cabo Delgado, situada entre 1.500 a 2.000 quilómetros a norte de Maputo, têm sido atacadas por desconhecidos desde 05 de outubro de 2017, provocando um número ainda desconhecido de deslocados.
Os grupos que têm atacado as aldeias nunca fizeram nenhuma reivindicação nem deram a conhecer as suas intenções, mas investigadores sugerem que a violência está ligada a redes de tráfico de heroÃna, marfim, rubis e madeira.
Os ataques acontecem numa altura em que avançam os investimentos de companhias petrolÃferas em gás natural na região, mas sem que até agora tenham entrado no perÃmetro reservado aos empreendimentos.
O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, anunciou, na terça-feira, a detenção de um cidadão estrangeiro com negócios no norte do paÃs por ser um dos suspeitos de recrutar e instrumentalizar jovens para atacar aldeias na provÃncia de Cabo Delgado.
“Um dos que enganam as crianças, nós apanhámo-lo. Eu até o queria trazer aqui, hoje, mas o meu ministro diz que está [detido] em Nampula”, capital provincial, referiu o chefe de Estado num comÃcio popular perante centenas de pessoas em Mueda, uma das sedes de distrito da região.
Na quarta-feira, o Tribunal Judicial da ProvÃncia de Cabo Delgado começou a julgar 189 pessoas acusadas de envolvimento nos ataques armados na região, disse à Lusa fonte ligada ao processo.
Entre os arguidos estão moçambicanos, tanzanianos, somalis e cidadãos naturais do Burundi e República Democrática do Congo, disse a fonte.
EYAC (PMA/LFO) // PVJ
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