
Amesterdão, 02 out (Lusa) — O ex-presidente do Governo Regional da Catalunha Carles Puigdemont afirmou hoje que apoia a negociação de um referendo para a região com o executivo espanhol liderado por Pedro Sánchez, referindo que “a violência não é uma opção”.
Carles Puigdemont, que participou hoje numa cerimónia no Teatro Municipal de Amesterdão, na Holanda, disse que, a avançar com esta consulta, a única coisa que interessa é saber o que pensam na Catalunha.
“O que os outros pensam não importa, porque a questão não é a independência da Espanha, mas sim da Catalunha”, frisou, perante uma audiência com cerca de 700 pessoas, onde foi questionado pelo jornalista holandês Yoeri Albrecht.
Carles Puigdemont, que fugiu da justiça espanhola e reside na Bélgica, salientou que “a violência não é uma opção no caso Catalunha”.
“O recurso à violência é inaceitável numa Europa de século XXI e é inaceitável do ponto de vista dos direitos humanos. É impossÃvel pensar num cenário de guerra”, declarou, referindo que a diferença entre um catalão que defende a independência e outro que prefere a união a Espanha reside em “questões polÃticas”.
Devido ao processo independentista que os partidos separatistas iniciaram na região espanhola da Catalunha e que resultou numa declaração ilegal de independência em 27 de outubro de 2017, o Supremo Tribunal espanhol indiciou por rebelião 13 lÃderes polÃticos e sociais, dos quais nove estão em prisão preventiva e quatro fugiram de Espanha, incluindo Puigdemont.
O Governo regional liderado por Carles Puigdemont, apoiado desde 2015 por uma maioria parlamentar de partidos separatistas, organizou e realizou um referendo em 01 de outubro de 2017, que foi considerado ilegal pelo Tribunal Constitucional espanhol.
Na segunda-feira ao fim do dia, quando passou um ano do referendo, numa concentração junto à sede da PolÃcia Nacional, em Barcelona, os manifestantes arremessaram objetos e tinta contra os agentes que estavam no local, enquanto no parlamento da Catalunha tentaram retirar as vedações de proteção e entrar no edifÃcio.
Ativistas independentistas tinham bloqueado logo de manhã autoestradas, linhas de caminho de ferro e várias artérias de Barcelona, e ao longo de todo o dia ocorreram outras ações dos movimentos separatistas
Os independentistas reclamam há muito tempo um referendo regional sobre a independência da Catalunha, em moldes semelhantes aos que foram realizados no Quebeque (Canadá) ou na Escócia (Reino Unido).
No entanto, a Constituição de Espanha apenas permite uma consulta eleitoral que ponha em causa a unidade do paÃs se esta for realizada a nÃvel nacional.
AJO // SR
Lusa/Fim



