
Bucareste, 11 ago (Lusa) — Milhares de romenos regressaram hoje à s ruas de Bucareste, pelo segundo dia consecutivo, para condenar os “excessos” das forças de segurança e a violência durante uma manifestação antigovernamental na véspera.
O protesto de sexta-feira, organizado por expatriados, reuniu cerca de 80 mil pessoas nas ruas da capital romena, que exigiam a demissão do Governo e eleições antecipadas, e originou confrontos com a polÃcia de choque quando os manifestantes tentavam passar uma barreira policial que os separava de instalações do Governo.
Mais de 450 pessoas, incluindo 30 polÃcias, ficaram feridas e precisaram de receber tratamento médico devido à inalação de gases pimenta e lacrimogéneo utilizados pelas forças policiais, enquanto outros sofreram hematomas.
Cerca de quatro milhões de romenos (um quinto da população total) emigraram nos últimos 15 anos, à procura de uma vida melhor. Em 2017, os emigrantes enviaram à s suas famÃlias 4,3 mil milhões de euros, perto de 2,5% do produto interno bruto da Roménia, um dos paÃses mais pobres da União Europeia, onde o salário médio é de 520 euros.
Os manifestantes exibiam hoje bandeiras da Roménia e da UE e gritavam: “Não tenham medo! Os romenos vão erguer-se!”.
Os emigrantes que organizaram a manifestação em Bucareste, alguns dos quais atravessaram a Europa de carro para estar presentes, afirmam estar descontentes pela forma como o paÃs está a ser governado, nomeadamente no que diz respeito à luta contra a corrupção desde que o Partido Social Democrata chegou ao poder em 2016.
Bruxelas mantém o sistema judicial romeno debaixo de apertada vigilância.
A atual primeira-ministra da Roménia, Viorica Dancila, 54 anos, a primeira mulher a ocupar esse cargo, é o terceiro chefe de Governo num curto perÃodo.
Em reação à ação policial, o Presidente da Roménia, Klaus Iohannis, crÃtico do Governo, disse na sexta-feira que “condena firmemente a brutal intervenção da polÃcia de choque”, que classificou como desproporcionada num protesto que foi maioritariamente pacÃfico.
Responsáveis da polÃcia de intervenção já defenderam o uso da força no protesto de sexta-feira, informando que estavam a cumprir ordens das autoridades municipais de Bucareste para evacuar a zona onde decorria o protesto, em frente aos gabinetes do Governo.
Segundo as forças de segurança, “a violência do Estado legÃtima” foi justificada porque os manifestantes já tinham sido avisados várias vezes de que tinham de abandonar a praça.
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