
Figueira da Foz, Coimbra, 18 abr (Lusa) — Três pessoas foram detidas hoje durante buscas realizadas nos concelhos da Figueira da Foz e Montemor-o-Velho no âmbito do combate à captura ilegal de meixão, disse à agência Lusa o comandante local da PolÃcia MarÃtima (PM).
Silva Rocha, comandante da Capitania do Porto da Figueira da Foz, informou que as detenções verificaram-se no âmbito de uma investigação que decorre há vários meses, tendo participado na operação 64 elementos da PM, entre agentes e graduados.
Apoiada em “catorze mandados de buscas em residências e armazéns”, a ação começou à s 08:00 e ainda estava a decorrer por volta das 16:30, abrangendo cinco localidades próximas do rio Mondego: Lavos, Vila Verde, Casal da Areia e Maiorca, no concelho da Figueira da Foz, além de Ereira, no municÃpio de Montemor-o-Velho, adiantou.
A ação da PolÃcia MarÃtima, “num raio de 20 quilómetros”, permitiu apreender “muito material”, entre embarcações, viaturas, redes e outros utensÃlios usados na pesca ilegal do meixão, bem como 20 quilos destas larvas de enguia, devendo o balanço final da operação ser efetuado mais tarde.
Os três detidos serão ouvidos na quinta-feira, no Tribunal da Figueira da Foz.
A pesca ilegal do meixão é uma das principais ameaças à sobrevivência da enguia em Portugal e no resto da Europa, segundo o Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Universidade de Lisboa.
Iniciado com a captura de toneladas de larvas (meixão) nos estuários dos rios, “o declÃnio generalizado do recrutamento”, desde finais do século XX, “tem efeito na quantidade de enguias que são pescadas nos nossos rios e estuários”, disse à Lusa a investigadora do MARE Isabel Domingos, em dezembro de 2015, ano em que a GNR recuperou 305 quilos de meixão, o equivalente a pelo menos um milhão de enguias salvas e devolvidas à natureza.
Às apreensões da GNR nesse ano, juntaram-se as quantidades recuperadas pela PolÃcia MarÃtima nas águas sob jurisdição das capitanias.
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