
Lisboa, 02 abr (Lusa) — O Presidente da República afirmou hoje que vai falar com alguns autarcas e que aguarda dados sobre os apoios plurianuais ao teatro e prometeu pronunciar-se depois sobre este assunto.
Interrogado se ainda não falou com o Governo sobre esta matéria, Marcelo Rebelo de Sousa não respondeu diretamente à questão, mas ressalvou que só irá pronunciar-se publicamente, “claro, depois de falar com o senhor primeiro-ministro”.
O chefe de Estado foi questionado sobre a contestação ao Programa de Apoio Sustentado da Direção-Geral das Artes para o perÃodo 2018-2021 no final de uma iniciativa no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, e respondeu: “Penso que estão a falar do apoio ao teatro. Eu devo dizer que durante o fim de semana vi noticiada essa questão. Não tenho dados ainda”.
“Irei falar com alguns autarcas, irei receber os dados relativamente à quelas companhias que foram apoiadas, aqueles teatros que foram apoiados, e à s companhias e teatros que não puderam ser neste programa. E, quando tiver os elementos na minha mão, aà pronunciar-me-ei”, acrescentou.
Os resultados provisórios dos concursos ao Programa de Apoio Sustentado 2018-2021 da Direção-Geral das Artes, conhecidos na sexta-feira, têm suscitado protestos de companhias e criadores.
Um conjunto de agentes do teatro reuniu-se no sábado em Lisboa em contestação ao processo de atribuição das verbas plurianuais, tendo decidido constituir uma plataforma e pedir uma reunião ao primeiro-ministro, António Costa.
Os concursos ao Programa de Apoio Sustentado às Artes 2018-2021 abriram em outubro, com um valor global de 64,5 milhões de euros para apoiar modalidades de circo contemporâneo e artes de rua, dança, artes visuais, cruzamentos disciplinares, música e teatro.
No sábado, o Governo anunciou um reforço do montante disponÃvel até 2021, para 72,5 milhões de euros.
De acordo com os resultados provisórios dos concursos comunicados aos candidatos, a que a agência Lusa teve acesso, 50 candidaturas das 89 avaliadas na área do teatro deverão receber apoio estatal, e várias estruturas que tiveram apoios no passado ficarão de fora, como o Teatro Experimental de Cascais, O Teatrão e Escola da Noite, de Coimbra, o Centro Dramático de Évora e o Teatro das Beiras, da Covilhã.
Igualmente excluÃdos ficarão o Teatro Experimental do Porto, a Seiva Trupe, o Festival Internacional de Marionetas e o Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), também do Porto, o Teatro de Animação de Setúbal, das 39 estruturas e projetos que ficam sem financiamento.
Entre as companhias mais apoiadas estão a Teatro Praga, Companhia de Teatro de Almada, Artistas Unidos, O Bando, Teatro do Noroeste, Companhia de Teatro de Braga, Companhia de Teatro do Algarve (ACTA), a Comuna – Teatro de Pesquisa e Novo Grupo de Teatro, do Teatro Aberto, todas com um apoio para o quadriénio 2018-2021 superior a um milhão de euros.
Teatro do Elétrico, Teatro Extremo, Ar de Filmes, Este – Estação Teatral, Companhia de João Garcia Miguel, Mala Voadora, Comédias do Minho, Teatro da Rainha são outras companhias apoiadas.
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