
Beirute, 07 mar (Lusa) — Pelo menos 45 civis foram mortos hoje em bombardeamentos em Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, indicou uma organização não-governamental sÃria, numa altura em que o regime sÃrio, apoiado pela Rússia, reforçou a ofensiva contra aquele bastião rebelde.
“A maioria foi morta por ataques russos”, afirmou o Observatório SÃrio dos Direitos Humanos (OSDH), uma organização não-governamental (ONG) sÃria com sede em Londres, acrescentando que as manobras militares fizeram 16 mortos numa única localidade, Hammouriye.
Moscovo, um dos principais aliados internacionais do regime sÃrio, sempre negou estar envolvido nos raides aéreos contra Ghouta Oriental, o último grande bastião da oposição ao Presidente sÃrio, Bashar al-Assad, situado perto da capital sÃria (Damasco).
Na terça-feira, os dados atualizados do Observatório sobre o número de vÃtimas mortais em Ghouta Oriental davam conta que pelo menos 800 civis, incluindo 177 crianças, tinham perdido a vida.
A ONG sÃria também avançou hoje que o regime sÃrio reconquistou mais de metade deste enclave rebelde desde que lançou a atual ofensiva, a 18 de fevereiro.
“As forças do regime controlam mais de 50% do enclave rebelde”, nomeadamente após ter recuperado as localidades de Beit Sawa e Al-Achaari, segundo o diretor de OSDH, Rami Abdel Rahmane.
Estas informações são divulgadas no mesmo dia em que está a decorrer em Nova Iorque, na sede das Nações Unidas, uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, à porta fechada, para discutir a situação na SÃria a pedido do Reino Unido e de França.
À chegada à reunião, o embaixador francês junto da ONU, François Delattre, denunciou que o governo sÃrio continua a sua ofensiva contra Ghouta Oriental, em “completa violação” da resolução do Conselho de Segurança da ONU do passado dia 24 de fevereiro, que aprovou por unanimidade uma trégua humanitária de um mês.
“O regime sÃrio, enquanto falamos, continua a assediar e a bombardear os seus próprios cidadãos em Ghouta Oriental”, disse o representante diplomático francês, em declarações aos jornalistas.
François Delattre também acusou o regime de Damasco de se opor “com um cinismo absoluto” ao fornecimento de ajuda humanitária, na sequência dos entraves colocados nos últimos dias para a entrada em Ghouta Oriental de um comboio humanitário de 46 camiões para distribuir ajuda alimentar e médica.
O embaixador francês assegurou que “não se pode baixar os braços” e insistiu que a comunidade internacional tem de pressionar os paÃses com influência sobre a SÃria, como é o caso da Rússia, para que a resolução de uma trégua humanitária seja respeitada.
Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime de Bashar al-Assad de manifestações pacÃficas, o conflito na SÃria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de paÃses estrangeiros e de grupos ‘jihadistas’, e várias frentes de combate.
Num território bastante fragmentado, o conflito civil na SÃria provocou, desde 2011, mais de 350 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.
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