
Leiria, 09 fev (Lusa) – O festival Entremuralhas vai mudar de nome e de localização, devido à s obras de requalificação do Castelo de Leiria, anunciou hoje a organização do evento, agendado para os dias 23, 24 e 25 de agosto, e rebatizado Extramuralhas.
Dedicado à cultura gótica e à música alternativa, o festival vai ter este ano diversas alterações, apresentadas hoje, a par do principal cabeça de cartaz: os britânicos Current 93.
A saÃda do Castelo de Leiria, que serviu de palco durante os últimos oito anos, é a mudança mais significativa. O monumento vai receber diversas obras de requalificação – no valor de 3,6 milhões de euros – que vão impedir a utilização.
Em alternativa, o festival desce à cidade, anunciou hoje a associação Fade In: “O castelo tem sido o grande imã do Entremuralhas. Não é fácil criar um evento que tem como ex-libris o Castelo de Leiria e, de repente, ficarmos suprimidos desse elemento de atração”, afirma o presidente da associação, Carlos Matos.
O festival passa a chamar-se Extramuralhas enquanto o castelo estiver em obras, mas mantém “o epÃteto de festival gótico”.
“Estamos expectantes e com muito medo” da reação do público à mudança, admitiu o organizador. Mas “o impacto negativo do anúncio da saÃda do castelo pode ser colmatado com a qualidade da programação”.
A Igreja da Misericórdia, o Jardim LuÃs de Camões, o Teatro José Lúcio da Silva e um novo espaço dedicado a concertos, a abrir até agosto, na cidade, Stereogun, vão receber os concertos em 2018.
“A cidade está dotada de equipamentos que, de certa forma, podem replicar o que acontece no castelo”, nota o organizador.
No jardim, os concertos de Extramuralhas têm entrada livre, o que será uma oportunidade para mais pessoas tomarem contacto com o festival: “Todos vão poder ver artistas que normalmente vão ao Entremuralhas e centenas de pessoas que nunca foram ao festival, por preconceito, medo ou impossibilidade económica ou até fÃsica, vão ter uma pequena amostra do que acontece entremuralhas e acontecerá agora extramuralhas”.
Por outro lado, no Teatro José Lúcio da Silva, haverá condições para levar ao festival bandas que, de outro modo, nunca poderiam atuar no Castelo de Leiria – “por exemplo, porque usam pianos de cauda, impossÃveis de colocar no castelo”.
Em 2018, o programa terá entre dez a 12 bandas. Sete estão confirmadas: o alemão Christian Wolz, os espanhóis Captains, os russos Shortparis, os franceses Horskh, todos pela primeira vez em Portugal, e ainda os suecos Priest, os noruegueses Ulver e os britânicos Current 93.
Carlos Matos destaca a aposta nos Ulver e Current 93, “grandes nomes dentro do circuito alternativo”.
“É um esforço muito grande da Fade In. São nomes muito, muito caros, mas acreditamos que vai valer a pena, porque fãs de todo o mundo vão querer ver. Estamos muito orgulhosos por poder anunciar estes nomes”, sublinha.
Para o vereador da Cultura da Câmara de Leiria, as alterações ao festival, que se devem aplicar pelo menos nos próximos dois anos, significam “um novo ciclo”.
“Era inevitável, devido à s obras. TerÃamos sempre de vir cá para baixo [na cidade]. Mas Leiria tem todas as condições para poder fazer um festival único e especial neste perÃodo de agosto”, disse Gonçalo Lopes, que acredita na capacidade de atração do Extramuralhas.
“Vamos ter muita gente a visitar Leiria, além dos habituais visitantes do festival. Podemos mudar o paradigma, o cenário, a beleza, no que diz respeito à relação com a cidade”.
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