
Lisboa, 02 fev (Lusa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros considerou hoje que a escolha de António Sampaio da Nóvoa para embaixador de Portugal junto da UNESCO se deveu, entre outras razões, ao facto de o ex-reitor ser uma “autoridade internacionalmente reconhecida” na Educação.
A notÃcia de que o ex-reitor da Universidade de Lisboa António Sampaio da Nóvoa tinha sido escolhido pelo Governo para representante permanente na UNESCO — a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – foi avançada hoje pelo jornal Público.
Augusto Santos Silva, que já tinha confirmado a notÃcia do Público, explicou à agência Lusa as razões por detrás da escolha de Sampaio da Nóvoa.
“Portugal foi eleito no passado mês de novembro para o conselho executivo da UNESCO e, para o Governo, isso tem como consequência óbvia a reabertura da nossa representação permanente na UNESCO”, salientou o ministro, recordando que a representação tinha sido “suspensa no tempo da Troika”.
Por isso mesmo, desde essa altura “era o embaixador em França que acumulava as funções de representante junto da UNESCO”.
Para Augusto Santos Silva, o convite do Governo ao professor António Sampaio da Nóvoa assentou em “três razões essenciais”.
“A primeira é que o professor é uma autoridade internacionalmente reconhecida nos domÃnios da Educação, quer do ponto de vista analÃtico (da história da Educação) como do ponto de vista técnico, no apoio à s politicas públicas na Educação. Portanto é uma autoridade internacional numa das áreas fundamentais na missão da UNESCO”, salientou o chefe da diplomacia portuguesa.
A segunda razão, acrescentou, é que o Executivo entende que Sampaio da Nóvoa “combina a sua experiência como académico e perito nas áreas da Educação e da Ciência” com uma experiência “não menos relevante de gestão e direção em instituições culturais, cientÃficas e académicas”, nomeadamente como reitor durante vários mandatos reitor da Universidade de Lisboa.
A terceira razão é que o conhecimento que Sampaio da Nóvoa tem da própria atividade da UNESCO, organização para a qual tem trabalhado como perito, recordou.
“Estas três razões levaram-nos a convidá-lo para assumir as funções de representante permanente. Com muito agrado nosso, ele aceitou o nosso convite”, disse Santos Silva, sublinhando que “está em curso o seu processo de nomeação”.
O ministro afirmou que a nomeação de Sampaio da Nóvoa para embaixador da UNESCO dá continuidade “à tradição portuguesa” de apenas em casos muitos raros designar para o cargo de embaixadores personalidades que não são diplomatas.
“A tradição portuguesa – que é muito boa e que este governo continua – é a de só designar muito raramente embaixadores que não são diplomatas, como é este caso, e para organizações internacionais de cunho predominantemente técnico”, disse Santos Silva.
Pela UNESCO passaram “embaixadores ditos polÃticos” como Maria de Lurdes Pintassilgo, José Augusto Seabra, Manuel Maria Carrilho, e em breve António Sampaio da Nóvoa.
“Mas também na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico). Lembra-se certamente de BasÃlio Horta, antes tinha sido Pedro Roseta e mais recentemente Eduardo Ferro Rodrigues. Nós circunscrevemos a nomeação de embaixadores não profissionais a organizações internacionais de apoio à s politicas publicas onde o perfil técnico e académico, ou de experiencia polÃtica, dessas pessoas possa acrescentar valor”, referiu.
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