
Braga, 11 jan (Lusa) – Uma equipa internacional, que inclui cientistas da Universidade do Minho (UMinho), conseguiu reduzir em 59% a progressão da miopia em crianças dos oito aos 12 anos através de uma “lente de contacto especial”, anunciou hoje a academia.
Em comunicado enviado à Lusa, a UMinho explica que o ensaio clÃnico com uma nova lente de contacto decorreu desde 2012 e concluiu que o uso daquela lente na infância “traz benefÃcios claros para a saúde pública, porque é na infância que os valores da miopia mais agravam, podendo disparar na fase adulta a probabilidade de problemas severos de visão”.
A miopia consiste em ver mal ao longe e deve-se ao crescimento excessivo do olho, sendo que a cada milÃmetro que este aumenta, ganha-se três dioptrias de miopia. A equipa internacional mostrou que, após três anos, as crianças com as lentes de contacto especiais tiveram 0,5 milÃmetros de crescimento ocular, isto é, menos de metade face à s outras crianças do estudo.
“É possÃvel atrasar o crescimento do olho humano com dispositivos óticos”, aponta no texto diretor do Laboratório de Investigação em Optometria ClÃnica e Experimental (CEORLab) do Centro de FÃsica da UMinho, José González-Méijome, que trata esta linha de estudo precursora há 15 anos.
Estas lentes de contacto “distinguem-se pela distribuição especÃfica da potência, o seu desenho ótico, que vai alterar a imagem que se forma na retina, estimulando menos o crescimento do olho”, refere o investigador.
Segundo a UMinho, “a miopia em menores de dez anos costuma alcançar valores elevados na idade adulta e pode levar a doenças da retina e nervo ótico, como glaucoma, desprendimento da retina, mácula e mesmo a cegueira”, sendo que “a probabilidade de ter estas doenças é dez vezes maior em mÃopes com mais de três dioptrias e até cem vezes maior para aqueles com cinco ou mais dioptrias”.
Aquela “anomalia visual” tornou-se uma pandemia em diversas partes do mundo e, refere o comunicado, “prevê-se que em 2050 mais de 50% da população mundial tenha este defeito ocular, 10% da qual com miopia alta”.
A UMinho salienta que as Ciências da Visão são uma área de “importância extrema a nÃvel social e cientÃfico”, referindo que CEORLab tem em curso vários estudos epidemiológicos, ensaios e parcerias.
Por exemplo, enumera, “concluiu recentemente que a miopia afeta um terço dos que ingressaram no ensino superior de 2015 a 2017, com base numa amostra a 2.000 jovens da UMinho”, uma proporção que quase duplicou nos últimos 15 anos.
A equipa liga também a investigação às neurociências, entendendo melhor os processos de crescimento e controlo do globo ocular e os mecanismos de ação destes e outros tratamentos, para desenvolver dispositivos mais eficazes.
A UMinho explica ainda que “é a única instituição em Portugal e das raras da Europa com formação de licenciatura, mestrado, doutoramento e ensino a distância em Optometria e Ciências da Visão, em particular na área da miopia”.
O ensaio clÃnico com a nova lente de contacto envolveu ainda as universidades de Aston (Reino Unido), de Waterloo (Canadá) e o Hospital Universitário de Singapura.
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