
Luanda, 05 jan (Lusa) – Angola pretende vir a produzir localmente, com o apoio de especialistas portugueses, brasileiros e cubanos, soro antiofÃdico para tratar pessoas mordidas por serpentes venenosas, mas precisa de 50.000 euros para avançar com o projeto, noticiou a Angop.
Os dados do Centro de Investigação e Informação de Medicamentos e Toxicologia (CIMETOX) referem que, em 2016, foram registados 3.708 casos de mordeduras de serpentes, sendo 22,6 por cento em homens e 37,6 em mulheres.
Os acidentes ocorreram sobretudo nas provÃncias de Malanje, Cuanza Norte, UÃge, Luanda e Huambo, tendo como principais sintomas a dor local, edema, bolhas e sangramentos, provocados maioritariamente pela serpente Bitis Arietans, a maior causadora de acidentes em Angola e paÃses vizinhos.
A informação do centro dá conta que estes casos ocorrem sobretudo em comunidades rurais, entre camponeses e pastores.
Para a produção do soro, o CIMETOX, unidade afeta à Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto em Malanje, conta com apoios do da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (Portugal) e do Instituto Butantan (Brasil).
A coordenadora do projeto, denominado “Produção dos Soros AntiofÃdicos), Paula de Oliveira, citada hoje pela agência noticiosa angolana, Angop, referiu que as pesquisas tiveram inÃcio em 2014, nas provÃncias de Benguela, Malange, Cuanza Sul e HuÃla.
Segundo a responsável técnica, as pesquisas realizadas permitiram a extração de veneno em serpentes, nomeadamente vÃbora, najas nigricollis e bitis gabônica, numa quantidade de 200 microlitros, que foram injetados, em ratos, da qual resultou o soro “morino”.
Paula de Oliveira disse que presentemente se perspetiva a criação do soro equino, injetado em cavalos, para posterior extração do lÃquido que serve para tratar mordeduras de cobras em seres humanos.
A falta de 10 milhões de kwanzas (50.000 euros), para a aquisição dos cavalos e outras despesas para a pesquisa, está a condicionar esta etapa, segundo informou Paula de Oliveira, pelo que aguarda por alguns patrocÃnios.
Com a conclusão do projeto, Angola vai reduzir as despesas com a importação do referido soro, disse ainda a especialista.
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