
Tondela, Viseu, 16 dez (Lusa) — A coordenadora do BE, Catarina Martins, disse hoje que Portugal “não precisa de pancadinhas nas costas” das instituições europeias e das agências de ‘rating’, mas de aproveitar o bom momento para lançar outra estratégia económica.
Ao intervir hoje de manhã, em Tondela, no Encontro do Interior, Catarina Martins considerou que “o ano de 2017 teve o pior, mas também teve bons indicadores e boas notÃcias para o paÃs”.
“O enorme erro será se olhar para a tragédia nos impedir de ver as oportunidades económicas que temos de fazer melhor. O erro será também de algum deslumbramento com os dados económicos não nos permitir ver a enorme tragédia que assolou o paÃs ou os enormes problemas pela falta de um investimento público e de um modelo de desenvolvimento que chegue a todo o paÃs e que não continue a abandonar o interior”, alertou.
Na sua opinião, “seria um dano irreparável se os bons dados da economia não servissem para responder a quem está mais fragilizado e não servissem para lançar outra estratégia económica”.
“Não há nenhum momento como este para que Portugal se afirme no quadro europeu e do ponto de vista nacional como um paÃs que é capaz de virar as costas à s polÃticas de austeridade, exigir a reestruturação da dÃvida pública e ter investimento público capaz do emprego, do ordenamento do território, de construir uma paisagem mais segura e um paÃs mais igual. Este é o momento de o fazer”, realçou.
Segundo Catarina Martins, Portugal precisa de aproveitar o momento económico que está a viver “para libertar os recursos essenciais ao investimento público e para, no momento em que a Europa está absolutamente desorientada, lutar por resgatar a sua soberania” e livrar-se “de um peso excessivo da dÃvida pública”.
A coordenadora do BE lembrou que se estão a assinalar “seis meses da terrÃvel tragédia de Pedrógão Grande”, que se repetiu depois em outubro, em Tondela e noutros concelhos vizinhos.
“Não basta dizer que se falhou, é preciso ter a coragem de assumir outros modelos de desenvolvimento e outras polÃticas para o território”, afirmou.
No seu entender há, “nas imagens terrÃveis da tragédia, o sentir de uma polÃtica profundamente errada”, porque “o paÃs que ardeu é também o paÃs abandonado” e “os que sofreram nos incêndios são os que têm sofrido o abandono e continuam a sofrer esse abandono”.
Por isso, disse Catarina Martins, “para lá do apoio imediato, da solidariedade e do carinho que todo o paÃs deve ter com quem sofreu tanto, tem de existir o assumir de responsabilidades, de uma polÃtica que combata a desertificação do território, que crie emprego e que lance uma estratégia económica de futuro no paÃs”.
“Seis meses depois de Pedrógão, e quando os indicadores da economia provam que a austeridade foi um erro e a alternativa é possÃvel, este é o momento para uma estratégia diferente”, frisou.
AMF // ZO
Lusa/fim



