MARCO MARTINS E O IMPULSO POLÍTICO DE REFLETIR SOBRE A CRISE NO FILME “SÃO JORGE”

LusaLisboa, 04 mar (Lusa) – O realizador Marco Martins seguiu o “impulso político de cristalizar um momento” da história de Portugal, sobre a recente crise económica, como contou à agência Lusa a propósito do filme “São Jorge”, que se estreia na quinta-feira.

“São Jorge”, que valeu a Nuno Lopes o prémio de melhor ator no Festival de Veneza do ano passado, conta a história de Jorge, um pugilista, desempregado, que aceita trabalhar numa empresa de cobranças difíceis para pagar as suas próprias dívidas e para tentar que a mulher e o filho não emigrem.

“Para a minha geração foi um momento muito marcante, o momento da crise, o momento em que sentimos o país a afundar. (…) Era um momento decisivo em que a própria soberania do país era posta em causa, a própria vontade dos cidadãos de atuar sobre a sua vida estava condicionada por uma vontade externa”, afirmou o realizador, a propósito das medidas de austeridade impostas pela ‘troika’ (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional).