Libertados agentes israelitas suspeitos de execuções filmadas na Cisjordânia

Jerusalém, Israel, 28 nov 2025 (Lusa) – Três agentes da Guarda de Fronteira israelita saíram hoje em liberdade após oito horas de interrogatório sobre o seu alegado envolvimento na execução de dois palestinianos desarmados, na quinta-feira na Cisjordânia, que ficou registada em imagens vídeo.

Os agentes ficam porém proibidos de contactar outras pessoas envolvidas neste caso, segundo o portal de notícias israelita Ynet.

A advogada que representa os três suspeitos, Sharon Nahari, segue a linha de defesa de que os agentes “agiram de acordo com as instruções legais quando não tinham outra opção”, uma vez que sentiram que as suas vidas “estavam em perigo e abriram fogo”, de acordo com o Ynet.

No vídeo, são vistos dois homens a sair de um edifício em Jenin, no norte da Cisjordânia, que parece um armazém e que ficam de joelhos e de mãos na nuca, rodeados de homens fardados apontando-lhes as suas armas.

Mais adiante, ouvem-se vários tiros e veem-se os detidos, que não pareciam oferecer qualquer resistência, imóveis no chão.

A organização de direitos humanos israelita B’Tselem identificou as vítimas como Yusef Asasah, de 39 anos, e al-Muntaser Belah Abdalah, de 26.

Os militares israelitas confirmaram na quinta-feira em comunicado que estavam a investigar o incidente com os dois homens palestinianos, que alegam pertencerem a uma “rede terrorista”.

Segundo o exército, foi realizada naquele dia uma operação em Jenin, um bastião de grupos armados palestinianos, durante a qual as suas tropas cercaram um edifício onde se encontravam “indivíduos procurados” e “iniciaram um procedimento de rendição”.

O comunicado relatou ainda que, depois de saírem, “foram disparados tiros contra os suspeitos”, acrescentando que o incidente estava sob investigação.

O jornal The Times of Israel noticiou que os agentes da Guarda de Fronteira envolvidos justificaram que as vítimas palestinianas não seguiram as suas instruções.

O ministro da Segurança Nacional, o ultranacionalista Itamar Ben Gvir, criticou hoje o interrogatório dos alegados autores das execuções, considerando-o um “procedimento distorcido” contra aqueles que lutam “contra inimigos e assassinos”.

Em comunicado, a diretora da B’Tselem, Yuli Novak, lamentou por seu lado que em Israel não exista “nenhum mecanismo para impedir o assassínio de palestinianos ou para processar os responsáveis”, instando a comunidade internacional “a acabar com a impunidade e exigir responsabilização”.

A Autoridade Palestiniana, por sua vez, anunciou na quinta-feira a morte de dois homens, de 26 e 37 anos, vítimas de disparos israelitas em Jenin, tendo partilhado igualmente o conteúdo do vídeo.

“O Ministério dos Negócios Estrangeiros condena veementemente o crime hediondo de execução sumária perpetrado pelo exército de ocupação israelita”, acusou a diplomacia palestiniana.

Este caso, acrescentou o ministério, constitui “um crime de guerra documentado e completo, e uma violação flagrante de todas as leis, convenções internacionais, normas e valores humanos”.

O grupo islamita Hamas, que gere a Faixa de Gaza desde 2007, também condenou o episódio, que diz corresponder ao “total desprezo pelo sangue palestiniano”, em violação de todas as leis e normas humanitárias.

“A execução a sangue frio de dois jovens palestinianos desarmados em Jenin pelas forças de ocupação, apesar de terem saído de casa e não representarem qualquer ameaça, expõe mais uma vez a mentalidade criminosa que rege o comportamento da ocupação”, acusou o Hamas, referindo-se a Israel.

A Cisjordânia atravessa desde o início da guerra na Faixa de Gaza, em 07 de outubro de 2023, uma escalada de violência associada à expansão da ocupação israelita e agressões contra a população palestiniana e destruição de bens.

De acordo com dados das Nações Unidas, mais de mil palestinianos morreram na Cisjordânia desde 07 de outubro de 2023 e meados de novembro deste ano em ataques atribuídos ao exército e colonos judeus.

Outubro registou mais ataques de colonos na Cisjordânia (264) do que qualquer outro mês desde a recolha de dados em 2006, coincidindo com raides de habitantes judeus violentos nos olivais do território durante a última campanha de colheita de azeitonas.

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