
Maputo, 28 nov 2025 (Lusa) – Os antigos Presidentes moçambicanos Joaquim Chissano e Armando Guebuza apelaram hoje ao diálogo para repor a calma e a tranquilidade na Guiné-Bissau, depois da tomada do poder por militares, defendendo o contributo de África e do mundo no processo.
“Ainda não temos todas as informações, as motivações e as circunstâncias do golpe de Estado em Guiné. Mas eu acredito que, apesar disso, o povo da Guiné vai saber encontrar-se, com o apoio da África e do mundo inteiro, para que (…) consiga viver tranquila”, disse Armando Guebuza, que foi Presidente de Moçambique de 2005 a 2015, em Maputo.
Em causa está o golpe de Estado de quarta-feira naquele país africano – anunciado na véspera do dia anunciado para a divulgação dos resultados das eleições presidenciais e legislativas que ocorreram domingo – por militares que alegaram deter o “controlo total” da Guiné-Bissau.
Segundo o político, o mundo passa atualmente por “diversas convulsões”, salientando que “não [é] só Guiné-Bissau, não é somente África”, pelo que é “muito complicado” e fácil perder “um bocadinho o rumo”.
Joaquim Chissano, antigo chefe de Estado moçambicano, de 1986 a 2005, disse estar a acompanhar a situação: “Eu acredito que em breve teremos uma informação do que se passa”.
“Podemos, como indivíduos, como parte da nação moçambicana, apoiar os esforços para trazer a calma necessária [à Guiné-Bissau]. Nós vamos contribuir”, concluiu o antigo governante.
A família do líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, apelou hoje à atuação “imediata” da comunidade internacional para a reposição da ordem na Guiné-Bissau e libertação dos detidos.
Num “apelo urgente” publicado nas redes sociais do político, a família expressa revolta e inconformismo “perante a detenção flagrante, ilegal e absolutamente arbitrária” de Simões Pereira, assim como do deputado do PAIGC Octávio Lopes.
Os dois políticos terão sido detidos na quarta-feira, dia em que os militares tomaram o poder na Guiné-Bissau.
No apelo, a família pede a libertação dos dois, “bem como de todos os demais cidadãos injustamente privados da sua liberdade”.
Hoje, os sindicatos do Ministério Público da Guiné-Bissau denunciaram, também, que cinco magistrados foram presos durante o processo de apuramento eleitoral.
O general Horta Inta-A foi na quinta-feira empossado Presidente de transição da Guiné-Bissau, numa cerimónia que decorreu no Estado-Maior General das Forças Armadas guineense.
Os militares anunciaram na quarta-feira a destituição do Presidente, Umaro Sissoco Embaló, suspenderam o processo eleitoral, os órgãos de comunicação social e impuseram um recolher obrigatório.
As eleições, que decorreram sem registo de incidentes, realizaram-se sem a presença do principal partido da oposição, Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e do seu candidato, Domingos Simões Pereira, excluídos da disputa e que declararam apoio ao candidato opositor Fernando Dias da Costa.
Simões Pereira foi detido e a tomada de poder pelos militares está a ser denunciada pela oposição como uma manobra para impedir a divulgação dos resultados eleitorais.
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